Sobe para 10 o número de mortos em temporal

Prefeito culpa falta de verbas federais pela tragédia e diz que até mesmo as liberadas no governo Temer estão paradas; Carlos Bolsonaro defende o pai


Foto: Reprodução - Twitter - Prefeitura do Rio.JPG
Equipes do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil estão trabalhando na Avenida Carlos Peixoto

A astróloga Lúcia Xavier Sarmento Neves levou sua neta Júlia Neves Aché a um evento no shopping Rio Sul e às 21h30 queriam voltar para casa, em Copacabana, a menos de dois quilômetros de distância. Pessoas que também aguardavam um táxi na porta do shopping, diante da senhora com a criança tentando conseguir uma condução, cederam a vez para Lúcia e Júlia. As duas embarcaram no carro dirigido por Marcelo Marcelino Tavares.

Os três morreram soterrados num deslizamento de terra na Avenida Carlos Peixoto. O táxi soterrado só foi descoberto na tarde desta terça-feira. Além deles, o corpo de um homem que teria morrido afogado no temporal foi resgatado no Jardim Maravilha, em Campo Grande, na zona oeste do Rio. A região está completamente inundada e as pessoas estão se deslocando em barcos.

Um temporal que atinge o Rio de Janeiro desde o início da noite dessa segunda-feira, 8, provocou a morte de pelo menos dez pessoas, inundou ruas, derrubou árvores e destruiu casas e carros em vários bairros. Avó, neta e o motorista de um táxi estão entre as vítimas, encontrados em um carro soterrado após um deslizamento em Botafogo, na zona sul da cidade.

No início da tarde, foi confirmada a morte de Leandro Ramos Pereira, de 40 anos, que levou um choque enquanto limpava o ralo de sua casa em Campo Grande, na zona oeste. Já o corpo de Guilherme N. Fontes, de 30 anos, foi encontrado debaixo de um carro na Gávea, na zona sul. Ele havia saído de casa na carona de uma moto para comprar carne em um açougue na Rocinha e fazer um churrasco em comemoração ao aniversário. Caiu da moto e foi arrastado pela água na rua Marquês de São Vicente, uma das principais vias do bairro.

Duas irmãs, Doralice e Gerlaine do Nascimento, de 55 e 53 anos, morreram num deslizamento no Morro da Babilônia, no Leme. Elas eram vizinhas. Gilson Cézar Cerqueira, de 42 anos, estava na casa das duas e também morreu.

Até a noite desta terça-feira, duas pessoas que morreram afogadas não haviam sido identificadas.

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), afirmou que mais de cinco mil homens trabalham para tentar minimizar os problemas causados pela forte chuva. “Decretamos feriado nas escolas e pedimos para que ninguém que não precise saia às ruas. As chuvas que caíram são anormais, nenhum de nós esperava um volume desses”, disse Crivella em entrevista coletiva no Centro de Operações do Rio.

O atual prefeito, que é alvo de processo de impeachment aberto pela Assembleia Legislativa do Estado na semana passada, foi o único entre os 3 candidatos mais votados que não citou chuvas em seu programa de governo.

Crivella disse que o Centro de Operações funcionou durante toda a noite e que as equipes vão continuar trabalhando nesta terça para tentar evitar mais tragédias. Ele afirmou ainda que as regiões mais afetadas foram a zona sul e a zona oeste, e que deslizamentos graves só foram observados no Morro da Babilônia, no Leme. Segundo ele, 785 pontos estão sem luz e algumas das principais vias da cidade foram fechadas por segurança, como a Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá e o Auto da Boa Vista, que ligam a zona norte à zona oeste.

A força da água causou o desabamento de mais um trecho da Ciclovia Tim Maia, que liga o Leblon, na zona sul, à Barra da Tijuca, na zona oeste. Desta vez, a parte que caiu fica próxima ao bairro de São Conrado. O desabamento ocorreu por volta das 22h, quando a via já estava fechada. Desde que foi inaugurada, em 2016, a estrutura já sofreu quatro desabamentos. O mais grave deles ocorreu logo após a inauguração, quando uma ressaca no mar derrubou uma parte da pista, matando duas pessoas.

A cidade entrou em estágio de atenção às 18h35 e às 20h55 passou para o estágio de crise – o mais grave de três níveis de risco, segundo a escala usada pela Prefeitura. Segundo a administração, em quatro horas choveu mais do que nos dias 6 e 7 de fevereiro, quando a chuva causou a morte de seis pessoas. Até as 23h, a Defesa Civil havia acionado 39 sirenes em 20 comunidades. Bombeiros recorreram a botes para retirar alunos de uma escola na Gávea.

Nas primeiras horas do dia, o bairro mais afetado era o Jardim Botânico, na zona sul, onde em quatro horas choveu 155,4 milímetros, mais do que o esperado para todo o mês de abril (136 mm), segundo a Prefeitura do Rio. Dezenas de carros foram arrastados pela água e até o calçamento foi arrancado pela força da enxurrada.

O segundo bairro mais prejudicado era o Alto da Boa Vista, na zona norte, onde choveu 102,6 mm, sendo que a média para todo o mês é de 193,8 mm. Na zona norte, o Rio Maracanã transbordou. Na zona sul, Botafogo e Laranjeiras registraram dezenas de alagamentos.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a previsão para esta terça é de tempo nublado a encoberto com pancadas de chuva e trovoadas fortes. (Com Agência Brasil)

Crivella culpa falta de repasses federais

Foto: Tomaz Silva / ABr
Segundo Crivella, apesar de ter ido a Brasília “várias vezes”, ainda não foi assinado o repasse de verba

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, culpou a falta de repasse de recursos federais para investir em manutenção e remoção de pessoas em áreas de risco como principal causa da segunda tragédia que ocorre na cidade após fortes chuvas. Até o momento, quatro pessoas morreram em decorrência da tempestade que alagou as ruas da cidade a partir do início da noite desta segunda-feira, 8, que se somam às dez mortes ocorridas durante as enchentes de fevereiro. As chuvas continuam nesta terça-feira.

Segundo Crivella, apesar de ter ido a Brasília “várias vezes”, até hoje, passados três meses do governo Bolsonaro – cuja base eleitoral é no Rio de Janeiro, assim como de dois dos seus três filhos -, ainda não foi assinado o repasse de verba para cuidar da rede pluvial, despoluir rios e remover pessoas que vivem em áreas de risco.

Sem citar valores, Crivella reclamou que desde que Bolsonaro assumiu o governo, até mesmo os contratos que já estavam assinados na época do governo Michel Temer estão parados. “Nossas parcerias com o governo federal, nesse primeiro ano Bolsonaro, praticamente pararam”, disse em coletiva nesta manhã no Centro de Operações Rio (COR).

Procurados, tanto a Prefeitura como o Ministério do Desenvolvimento Regional não souberam informar imediatamente qual seria o valor dos repasses nem o motivo para a falta dos mesmos.

Carlos Bolsonaro defende o pai de cobrança

Um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro, o vereador do Rio Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), saiu em defesa do pai após o prefeito Marcelo Crivella (PRB) culpar a falta de repasse de verbas federais pelas tragédias que ocorreram no Rio este ano por causa de fortes tempestades. Até o momento, a cidade contabiliza 13 mortos devido às enchentes ocorridas nas últimas semanas (três na noite desta segunda-feira, 8).

“Chuvas e irresponsabilidades trazem este tipo de resultado ao Rio. Novo é o prefeito culpar o presidente com pouco mais de 3 meses de mandato e realizando o que pode pelo País. Meus sentimentos ao carioca. Seguimos cobrando e propondo soluções como sempre participamos”, disse o vereador em uma rede social.

Chuvas mobilizam usuários do Twitter no Brasil

O Twitter brasileiro está mobilizado nesta terça-feira, 9, em torno das chuvas que castigam a cidade do Rio de Janeiro desde a véspera. Até o momento, quatro pessoas morreram em decorrência de enchentes e deslizamentos.

Dos dez temas mais comentados do Twitter, quatro dizem respeito ao Rio: a hashtag ChuvaRJ, o sobrenome do prefeito, Marcelo Crivella, o nome da ciclovia Tim Maia, que desabou mais uma vez, e também a expressão O Rio de Janeiro.

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