Sistema brasileiro é muito focado na aula expositiva


O diretor executivo do Instituto Singularidades, Miguel Thompson, comenta os dados da Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis, na sigla em inglês), feita pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com 250 mil professores e diretores de escolas de 48 países ou regiões. Veja a seguir.

O que explica o pouco tempo dedicado ao conteúdo em escolas brasileiras?

Existem muitos aspectos, mas um deles é que somos muito focados na aula expositiva, e ela exige que o aluno fique ali imóvel, olhando. Há muitos atrasos entre uma aula e outra, muitos professores escrevem antes (da aula) na lousa, e tudo isso é dissipação de tempo. Além disso, a possibilidade de dispersão no cotidiano por causa da cultura digital é gigantesca.

Por que as escolas não atendem melhor às necessidades de especiais?

Nós, professores, saímos da universidade completamente despreparados para trabalhar as exceções. E isso não deveria estar a cargo só do professor. Se você trabalha de maneira cooperativa, o próprio grupo pode fazer o manejo dessa diversidade – às vezes nem chegam a ser patologias. Os alunos se ajudam e o professor faz a orientação desse processo.

O que explica o alto porcentual de bullying e intimidação a professores?

No Brasil, até 35% dos professores não são especialistas no assunto (do qual dão aula). Então entra um professor inseguro na sala de aula, e um jovem, quando está em fase de afirmação, vai testar. E há questões externas, do núcleo familiar do aluno, seja pobre ou rico. Muitas vezes o pai do aluno não está lá. O fator social também é importante.

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