Porta-voz do Vaticano e vice anunciam pedido de demissão

Vaticano tem lidado com duras críticas causadas pela crise referente aos casos de abuso sexual e a resposta que tem dado aos episódios


O porta-voz do papa Francisco e sua vice renunciaram nesta segunda-feira, 31, de seus cargos. O norte-americano Greg Burke e a espanhola Paloma García Ovejero dirigiam a sala de imprensa do Vaticano desde junho de 2016. O pontífice aceitou o pedido de demissão dos jornalistas e designou que o atual coordenador de mídias sociais no Dicastério para a Comunicação, Alessandro Gisotti, de 44 anos, assuma a função interinamente.

O Vaticano tem lidado com duras críticas causadas pela crise referente aos casos de abuso sexual e a resposta que tem dado aos episódios. A renúncia ocorre em um momento de mudanças no sistema de comunicação da Santa Sé. Neste ano, o papa revisou o escritório de comunicações do Vaticano, que inclui um jornal, um serviço de rádio e uma editora.

Foto: Mika58 / Creative Commons
Greg Burke pedi demissão do cargo de porta-voz do Papa Francisco

Em sua conta no Twitter, Burke disse que as demissões entrariam em vigor em 1º de janeiro. “Neste momento de transição nas comunicações do Vaticano, achamos que é melhor que o Santo Padre esteja completamente livre para montar uma nova equipe”. Em outra publicação, ele afirmou que a experiência de atuar no Vaticano foi fascinante.

Paloma foi a primeira mulher a chegar ao posto de subdiretora da sala de imprensa da Santa Sé. Ela também se manifestou na rede social e agradeceu ao ex-diretor e ao pontífice.

Um breve texto foi divulgado pelo Vaticano sobre o assunto, mas não dá detalhes sobre o que motivou a renúncia dos profissionais. O prefeito do Dicastério para a Comunicação, Paolo Ruffini, nomeado em julho do ano passado, elogiou o profissionalismo dos jornalistas e disse que a saída deles foi “autônoma” e de “livre arbítrio”.

Gisotti também se posicionou e afirmou que mantém com Burke e Paloma “uma relação de estima e amizade”.

Viagens

Ruffini disse ainda que 2019 será um ano “denso” e que vai demandar “máximo esforço da comunicação”, tendo em vista os compromissos do pontífice.

A Jornada Mundial da Juventude, no Panamá, e viagens para os Emirados Árabes Unidos, Bulgária, Macedônia e Marrocos estão previstas na agenda do papa Francisco.

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