Polícia prende brigadistas sob suspeita de ligação com queimadas em Alter do Chão


Na manhã desta terça-feira (26), o juiz da primeira vara criminal Alexandre Rizzi deferiu mandados de busca, apreensão e prisão de quatro membros da Brigada Alter do Chão suspeitos de serem os responsáveis pelas queimadas que destruíram parte da mata na Área de Proteção Ambiental (APA) localizada no município de Santarém, no oeste do Pará, no mês de setembro.

Em nota, a Polícia Civil do Pará informou que foram presos na operação Fogo Sairé Daniel Gutierrez Govino, João Victor Pereira Romano, Gustavo de Almeida Fernandes e Marcelo Aron Cwerner. As investigações estavam em curso desde então e agora a polícia diz ter encontrado indícios que apontam também o suposto envolvimento de uma ONG.

A operação cumpriu sete mandados de busca e apreensão em diversos endereços. Entre os alvos, está também a sede do Projeto Saúde e Alegria (PSA). A operação está sendo coordenada pela Delegacia Especializada em Conflitos Agrários de Santarém (Deca) e Núcleo de Apoio à Investigação (NAI), com o apoio da Diretoria de Polícia do Interior (DPI).

Até o momento, a polícia ainda não passou mais detalhes sobre a operação, que segue em curso em alguns pontos da cidade. Na sede do PSA, por exemplo, havia por volta das 13h grande movimentação de policiais e resistência dos dirigentes em permitir o cumprimento da ordem judicial. O diretor da instituição, Caetano Scannavino, está em Brasília para participar de uma audiência no Congresso e deve dar uma entrevista coletiva às 16h. Ele falou brevemente à reportagem dizendo que não sabe qual é a acusação.

Em nota, o projeto confirmou as buscas em sua sede, mas nega qualquer envolvimento da entidade. “O Projeto Saúde e Alegria foi surpreendido nesta manhã com a busca e apreensão de documentos pela Polícia Civil. Não existe no momento nenhum procedimento contra o Projeto Saúde e Alegria, mas apenas a apreensão de documentos institucionais no âmbito de um inquérito a respeito do qual ainda não temos acesso a nenhuma informação”, disse a entidade.

“Reforçamos que estamos colaboramos com as investigações. A instituição acredita no Estado Democrático de Direito e espera assim como todos os que estão acompanhando, o mais rápido esclarecimento dos fatos.” O processo está em segredo de Justiça, mas a polícia permitiu fotos e divulgou os nomes.

Também por meio de nota, o instituto Aquífero Alter do Chão, parceiro dos Brigadistas, disse que “membros e apoiadores da Brigada, entre eles advogados, estão apurando o que levou a esse fato”. “Estamos em choque com a prisão de pessoas que não fazem senão dedicar parte de suas vidas à proteção da comunidade, porém certos de que qualquer que seja a denúncia, ela será esclarecida e a inocência da Brigada e seus membros devidamente reconhecida”, afirmou a entidade.

Incêndios em Alter do Chão

Em setembro passado, faltando poucos dias para o início da Festa do Sairé, foram registrados focos de incêndios na floresta nativa na região do Eixo Forte. A vila mais famosa do interior da Amazônia logo foi parar no noticiário nacional e internacional por causa da repercussão das queimadas na Amazônia.

Enquanto a floresta ardia em chamas, um grupo de voluntários arriscava a vida para apagar as chamas e evitar uma tragédia ambiental sem precedentes. Após alguns dias de muito trabalho que reuniu esforços de órgãos municipais e estaduais, inclusive com apoio aéreo, os focos foram finalmente eliminados.

A Brigada de Alter foi criada em 2018 e reúne voluntários que trabalham em parceria com o Corpo de Bombeiros e outras instituições.

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