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Home Office

Poder de escolha sobre trabalho em casa

Parte das empresas registrou aumento na produtividade, mesmo em meio a uma pandemia

Por Agência Estado

09 Junho 2020, às 16h36 • Última atualização 09 Junho 2020, às 16h37

Nas últimas semanas, grandes empresas estrangeiras de tecnologia, como Google, Twitter e Facebook, anunciaram que irão prolongar o regime de home office de seus funcionários para além do fim da pandemia do novo coronavírus. O movimento foi acompanhado por organizações brasileiras, que irão transferir o poder de escolha sobre o regime de trabalho para as mãos de seus colaboradores.

30% das empresas que adotaram o trabalho remoto irão mantê-lo por ao menos um dia na semana após o fim do isolamento – Foto: Divulgação

A medida confirma uma tendência já apontada por organizações que analisam o mercado de trabalho. Um relatório desenvolvido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com a Infobase (empresa integradora de tecnologia da informação) e o Institute for Technology, Enterpreneurship and Culture (TEC), apontou que 30% das empresas que adotaram o trabalho remoto durante a quarentena irão mantê-lo por ao menos um dia na semana após o fim do isolamento.

Os motivos são muitos. Parte das empresas registrou aumento na produtividade, mesmo em meio a uma pandemia, somado aos benefícios em se evitar o tempo gasto com deslocamentos e trânsito e à redução de custo para as organizações. Uma estação de trabalho da plataforma de gestão Omie, por exemplo, localizada na zona sul de São Paulo, custa em torno de R$ 900 por mês por funcionário.

O Facebook foi uma das primeiras empresas a anunciar o prolongamento facultativo do home office, que poderá ser adotado apenas após o fim do decreto de isolamento de cada região em que tem escritório no mundo. Segundo Conrado Leister, country managing director do Facebook e do Instagram Brasil, qualquer funcionário que queira e consiga fazer o seu trabalho de casa poderá optar pelo home office até o fim do ano.

A medida não se aplica a algumas funções que precisam ser desempenhadas fisicamente, como engenheiros de hardware, que operam em máquinas gigantes, mas esses cargos que exigem a presença física não existem no Brasil.

Para conseguir fazer o trabalho remoto funcionar, o dirigente aponta que é necessária uma combinação de infraestrutura, ferramentas e flexibilidade.

“Todos têm computador, celular e acesso remoto à empresa mesmo antes da pandemia. Também já usávamos muitas ferramentas de conexão porque somos uma empresa global”, destaca.

Por fim, também surge a importância de flexibilizar a jornada dos colaboradores. “Temos pessoas mais jovens, que moram sozinhas e se sentem mais isoladas com o home office. Temos pais e mães com filhos em casa que precisam balancear a agenda. A flexibilidade é importante para que eles consigam trabalhar bem”.

O Twitter Brasil anunciou na última semana que os funcionários que estiverem em uma função e uma situação que os permita realizar o trabalho em casa poderão manter o regime remoto para sempre.

A empresa também reforçou que, com poucas exceções, os escritórios não estarão abertos antes de setembro e, quando isso ocorrer, será de forma gradual e planejada. “A abertura dos escritórios será uma decisão nossa. Quando e se nossos funcionários voltarão a trabalhar de lá, será uma decisão deles”, afirmam.

No Google, a informação sobre a extensão do home office até o fim do ano foi divulgada na primeira semana de maio pelo portal californiano The Information, após um comunicado do CEO da empresa, Sundar Pichai. A equipe do Google Brasil não quis comentar se a medida se aplicará também aos funcionários do País, mas confirmou as informações divulgadas pelo site norte-americano.

Casos de empresas brasileiras
Um estudo realizado pela Husky, fintech focada no trabalho remoto, com 632 profissionais que estão em home office, apontou que 76,8% consideram a mudança para o home office positiva. Já 84,9% dos entrevistados afirmaram ter o regime como uma meta pessoal.

Ainda neste contexto, uma pesquisa feita pela Fundação Dom Cabral e a Grant Thornton, empresa global de auditoria, mostrou que entre os 669 respondentes 54% têm interesse em continuar trabalhando remotamente e 13,9% talvez tenham.

No Brasil, a XP Inc. anunciou dia 14, que o home office será estendido até o fim do ano e que poderá ser permanente caso o funcionário queira.

“A decisão foi pensada no nosso principal ativo, as pessoas, e pautada pelo resultado das pesquisas internas e da melhoria nos índices de satisfação tanto de colaboradores quanto de clientes. No mês passado, fizemos uma pesquisa que perguntava com qual frequência os colaboradores gostariam de ir ao escritório. Só 5% responderam todos os dias”, diz o sócio e responsável pela área de Gente & Gestão da XP Inc, Guilherme Sant’Anna.

“A pandemia acelerou o processo com a implantação do trabalho remoto para os aproximadamente 2.700 colaboradores”, conclui.

Na Pipefy, plataforma de gestão de processos, todos os cerca de 250 funcionários ficarão em home office até o final do ano, independentemente do fim do decreto de isolamento. Para 2021, a empresa irá avaliar a possibilidade de cada funcionário escolher o seu regime de trabalho.

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