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Violência

PMs são afastados após policial pisar em pescoço de mulher durante ação em SP

As imagens mostram uma abordagem policial realizada após uma reclamação por som alto nas imediações de um bar

Por Agência Estado

13 jul 2020 às 12:58 • Última atualização 13 jul 2020 às 14:21

Policiais militares filmados agredindo uma mulher em Parelheiros, no extremo sul da capital paulista, foram afastados e o governador João Doria (PSDB) classificou a abordagem como “inaceitável” após a exibição das imagens no Fantástico, da Rede Globo, na noite deste domingo.

Na ação, um dos policiais chega a pisar no pescoço da comerciante e a arrastá-la. As imagens mostram uma abordagem policial realizada após uma reclamação por som alto nas imediações de um bar. O caso ocorreu no dia 30 de maio.

Um dos policiais chega a pisar no pescoço da comerciante e a arrastá-la – Foto: Globo / Divulgação

Em entrevista ao programa de televisão, a mulher, de 51 anos, conta que estava trabalhando no bar, quando viu que um policial estava batendo em um amigo. Ela diz que foi empurrada na grade do bar, levou três socos e teve a tíbia quebrada ao levar uma rasteira.

Em uma das cenas, a mulher aparece deitada no chão com o policial pisando em seu pescoço. Depois, ela é algemada e arrastada para uma calçada. Já na calçada, a comerciante é novamente imobilizada pelo pescoço. Desta vez, o policial usa o joelho.

Ao Fantástico, o policial informou que um colega foi agredido pela mulher com uma barra de ferro e, por isso, a comerciante foi contida. Ele afirmou ainda que a ação “foi um meio necessário”. A mulher nega.

Nas redes sociais, o governador João Doria disse que as cenas “causam repulsa”. “Inaceitável a conduta de violência desnecessária de alguns policiais. Não honram a qualidade da PM de SP”.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que um inquérito policial militar (IPM) foi instaurado em 30 de maio e que os policiais já foram afastados. Eles vão ficar fora das atividades operacionais até o fim das investigações.

“A mulher mencionada pela reportagem, após liberação médica, foi apresentada à autoridade policial, no dia 31. Informada sobre seus direitos, ela decidiu permanecer em silêncio e se pronunciar apenas em juízo, assim como os outros dois homens detidos no dia anterior. Todos permaneceram à disposição da Justiça. O caso também é investigado por meio de inquérito pelo 25° DP, responsável pela área dos fatos.”

A secretaria disse ainda que “não compactua com desvios de conduta de seus agentes e apura rigorosamente todas as denúncias”. Informou também que, desde o dia 1º, policiais militares de todos os níveis hierárquicos estão participando de um treinamento para “reforçar os conhecimentos e técnicas da instituição.

A medida foi anunciada por Doria no mês passado, em meio ao recorde de letalidade e denúncias de violência policial.

George Floyd

O tipo de imobilização usada no caso de Parelheiros tem sido alvo de críticas principalmente após a morte do americano George Floyd, em Minnesota, nos Estados Unidos, em maio. Ele foi asfixiado por um policial que prendeu seu pescoço com o joelho por quase nove minutos. A ocorrência desencadeou protestos em várias partes do mundo.

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