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Cotidiano

Nove unidades de saúde da Bahia não têm mais vagas para pacientes com covid-19

Por Agência Estado

16 fev 2021 às 20:15 • Última atualização 16 fev 2021 às 21:21

A Bahia voltou a registrar, nos últimos dias, uma alta considerável no número de infectados pelo novo coronavírus. Ao menos nove unidades de saúde já não conseguem mais receber pacientes com covid-19. Secretário de saúde do Estado, Fábio Vilas-Boas afirma, contudo, que não haverá um colapso da rede. O responsável pela pasta da saúde testou positivo nesta terça-feira, 16.

Ao Estadão, Vilas-Boas explicou que a situação é grave, mas que há possibilidade de abertura de novos leitos. “Não podemos chamar de colapso porque a maioria desses hospitais é de pequeno porte. Alguns deles realmente estão com leitos clínicos e de UTIs esgotados. Mas a média de ocupação na rede é de 70%, então não existe um colapso. O que acontece é que não temos como garantir 100% de atendimento em algumas cidades, mas aí nós removemos esse paciente para outro município, e é o que temos feito. As pessoas não estão morrendo com falta de ar”, diz o secretário, que tem sintomas leves da doença.

O cenário é mais grave no sul e extremo sul do Estado, que concentram três dos nove hospitais lotados. São eles: o Amec, em Camacan, Neurocor, em Porto Seguro, e o Hospital Municipal de Teixeira de Freitas. Em situação semelhante se encontram a unidade municipal de Paulo Afonso, o Dom Antônio Monteiro, em Senhor do Bonfim, o Carmela Dutra, em Bom Jesus da Lapa, além do Hospital Itiba, em Barreiras, o Hospital Geral Ernesto Simões Filho, em Salvador, e o Hospital de Base de Luís Eduardo Magalhães.

Fábio Vilas-Boas diz que o governo estadual estuda a abertura de novos leitos, 240 deles na Arena Fonte Nova, em Salvador. “Abrimos dezenas, mas infelizmente mais e mais pessoas estão sendo infectadas. Só que temos também a possibilidade de avançarmos dentro das áreas de nossos hospitais que não recebem covid-19”, garante, ao reforçar que há equipamentos suficientes.

Os dados da Secretaria de Saúde do Estado (Sesab) dão conta de que a taxa de ocupação na rede estadual é de 58% na enfermaria de adultos, 62% na enfermaria pediátrica, 74% na UTI de adultos e 61% na UTI pediátrica. O número de leitos disponíveis é de 417, 18, 276 e 14, respectivamente.

Ainda segundo Vilas-Boas, a alta de casos é observada há cerca de duas semanas. “A taxa de necessidade de internação subiu. Estamos abrindo dezenas de novos leitos de UTIs, mas não conseguimos fazer cair para menos de 70%, 72%, 73%. Não tenho dúvida de que as pessoas, sobretudo os mais jovens, não estão nem aí para a pandemia. Eles sabem que o risco é menor para eles e estão se soltando nessas baladas e festas clandestinas, muitas delas realizadas em sítios. É um ato que considero egoísta e irresponsável, porque eles são vetores. É muito triste ver como algumas pessoas vivem como se estivessem isoladas, sem se preocupar”.

O secretário voltou a criticar as lives de carnaval, realizadas por artistas como Ivete Sangalo, Cláudia Leitte e Léo Santana. “Não é o evento, em si. Eles dizem que tomam todas as medidas necessárias e tudo bem, mas acontece que eles estão cantando o carnaval. Não é uma coisa que você senta e assiste sem pular, numa boa. As pessoas reúnem grupos de oito, dez amigos, para assistir a esses shows. Isso leva à infecção. Não é uma questão de preferência musical, nem nada. Além disso, realmente não há ambiente para celebrar. Estamos assistindo às pessoas morrendo, todos os dias. Falta bom senso dos cantores”.

Estado de alerta em Salvador

Com o carnaval cancelado, Salvador não registrou grandes aglomerações nesse período. Na capital, conforme informou à reportagem a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), 75% dos leitos de UTIs estão preenchidos, o que acendeu o estado de alerta. A cidade dispõe de um total de 579 vagas de UTIs para adultos. Destas, 425 estão preenchidas. No caso das unidades pediátricas, dos 27 leitos, 18 estão ocupados. Os leitos clínicos, por sua vez, correspondem a um total de 406, mas 318 já estão ocupados. Os leitos clínicos pediátricos somam 37 e têm 28 pacientes internados.

A reportagem não conseguiu contato com o secretário municipal de saúde, Leonardo Prates. Há 24 horas, ele publicou em seu perfil no Twitter que as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da capital haviam amanhecido com 33 pacientes com necessidade de regulação. “A pandemia não acabou”, reforçou.

Aos olhos do governador da Bahia, Rui Costa (PT), o cenário é preocupante. “A situação é grave, nós precisamos nos cuidar. Evitem aglomerações e usem máscara. Não podemos baixar a guarda”, disse o gestor em seu perfil no Twitter, nesta terça. Na mesma rede, Rui comemorou a decisão do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJ-BA), que derrubou uma liminar que permitia o retorno das aulas presenciais no estado, proibidas por decreto até o próximo dia 21 deste mês.

Até o momento, a Bahia contabiliza 10.828 mortos e um total de 635.494 infectados. Destes, 609.546 são considerados recuperados e outros 15.120 encontram-se ativos. Nas últimas 24 horas, conforme último boletim divulgado pela Sesab na segunda-feira, 15, foram registrados 63 óbitos e 1.796 casos de covid-19 (taxa de crescimento de +0,3).

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