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Covid-19

Doria determina fechamento do comércio no Estado

Decisão vale a partir de terça-feira em todo o Estado; quarentena é de 15 dias e não afeta indústrias

Por João Colosalle/Marina Zanaki

21 mar 2020 às 13:01 • Última atualização 21 mar 2020 às 19:09

O governador João Doria decretou quarentena por 15 dias em todo o Estado por conta da pandemia do novo coronavírus (Covid-19). A medida foi anunciada há pouco e vale a partir da próxima terça-feira (24).

“Saímos do campo da recomendação para a determinação legal”, afirmou o governador. “Isso implica na determinação do fechamento de todo o comércio e serviços não essenciais”, disse Doria, em coletiva de imprensa.

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A decisão obriga o fechamento do comércio em todos os 645 municípios paulistas. Os serviços de transporte, saúde, segurança e alimentação seguem atuando normalmente (veja abaixo a lista completa). As indústrias também não estão afetadas pela medida.

Bares, restaurantes e cafés deverão funcionar pelo serviço delivery. O Estado de São Paulo, segundo Doria, emprega mais de 1 milhão de pessoas no setor.

O Estado tem 396 casos confirmados e 15 mortes provocadas pela doença. Atualmente, 34 pacientes estão internados em UTI (Unidades de Terapia Intensiva) com confirmação de coronavírus.

“Levem a sério essa pandemia. Isto não é férias. Não é brincadeira”, afirmou o coordenador da equipe que combate a epidemia do novo coronavírus no Estado, o médico infectologista David Uip.

“Tem bairros que o dia a dia não mudou. Isto é muito sério. Tem que ter a compreensão da gravidade, para cada um e seus familiares”, disse Uip.

O governador ressaltou que a quarentena não afeta as indústrias.

“Nenhuma medida é restritiva ao trabalho das indústrias. Funcionando regularmente com os cuidados devidos. Fábricas e indústrias não atuam diretamente com o público, mas o seu funcionamento é vital para não haver desbastecimento no estado e no País”, afirmou Doria.

O governador também criticou eventos que ainda estejam sendo realizados no Estado, e disse que acionará a polícia se necessário, para impedir aglomerações do tipo.

Entenda o que pode funcionar durante a quarentena:

Podem abrir normalmente, respeitando as determinações de cuidados com higiene, farmácias, serviços de saúde (público e privado), clínicas odontológicas (públicas e privadas), supermercados, hipermercados, padaria (exceto serviço de alimentação preparada), açougues, transportadoras, armazéns, oficinas mecânicas, postos de combustíveis, serviços transporte público – ônibus, trens, metrôs, táxis, transporte por aplicativos – call center, empresas de limpeza, bancos, lotéricas, pet shop, bancas jornais, indústrias.

REGIÃO

Na RPT (Região do Polo Têxtil), as cidades de Sumaré e Nova Odessa decidiram nesta sexta-feira pelo fechamento do comércio. A determinação nos municípios já está em vigor.

Em Americana e Santa Bárbara d’Oeste, as associações que representam os comerciantes se mostravam resistentes ao fechamento, até esta sexta-feira.

Em vídeo divulgado ontem, o presidente da Acia (Associação Comercial e Industrial de Americana), Wagner Armbruster, defendeu que “não era saudável” o fechamento de lojas e serviços.

Foto: João Carlos Nascimento / O Liberal
Calçadão no Centro de Americana ficou vazio na última quinta-feira

“Sem pânico. Nos não temos nenhum caso no momento, temos que fazer trabalho de prevenção. E fechar o comércio, fechar as indústrias, não é uma medida saudável, nem para a saúde física nem para a saúde financeira e econômica da cidade, da região”, afirmou Wagner.

Americana tem 12 casos suspeitos da Covid-19. A cidade aguarda exames dos pacientes.

Ao LIBERAL, o presidente informou que a queda no comércio na segunda quinzena de março varia de 50% a 70%, dependendo do lojista, quando comparado com o mesmo período do ano passado. Mesmo assim, a perspectiva da Acia é de que haverá recuperação no início de abril.

Já a queda no comércio de Santa Bárbara d’Oeste em março foi de cerca de 40% quando comparado com 2019, segundo o presidente da Acisb (Associação Comercial e Industrial de Santa Bárbara d’Oeste), João Batista de Paula Rodrigues.

O órgão visitou lojas do Centro e da Zona Leste nesta sexta-feira e disse que a situação está “normal” do ponto de vista do atendimento. O motivo para descartar alterações ou até mesmo o fechamento por conta da Covid-19 é de que o movimento de clientes está baixo, além da prefeitura não ter determinado o fechamento. A necessidade de higienização foi reforçada para os lojistas.

“Já estava fraco. Depois disso aí (Covid-19) caiu mais ainda. As vendas caíram muito. A gente percebe que em loja grande e pequena está tranquilo. O próprio comerciante fica mais tranquilo porque não está tendo muito fluxo de gente. Vem um para comprar, depois vai pagar… sempre tem um pouquinho de gente”, afirmou Rodrigues.

Na região, há 122 casos sob investigação. Nesta sexta-feira, foi confirmado o primeiro registro de coronavírus na região, em um morador de Hortolândia.

Nova Odessa e Sumaré fecharam comércios

A Prefeitura de Nova Odessa anunciou nesta sexta-feira que vai fechar o comércio a partir deste sábado. Só terão permissão para funcionar supermercados, farmácias, postos de combustíveis e distribuidoras de água e gás. Estabelecimentos que atuam por meio de delivery também poderão operar.

Já os restaurantes presenciais seguiriam liberados, desde que respeitada a distância mínima de dois metros entre clientes. O sistema self-service está proibido.

O novo decreto seria publicado hoje e as medidas são válidas por 30 dias. De acordo com assessoria de imprensa da prefeitura, a decisão atende a recomendação do Ministério Público.

Em Sumaré, o prefeito Luiz Dalben (Cidadania) determinou a suspensão temporária de funcionamento do comércio e a realização de festas, cultos religiosos e eventos com aglomeração. A exceção é para serviços essenciais, como supermercados, farmácias e restaurantes. A decisão consta no decreto anunciado às 22 horas desta sexta.

Somente poderão permanecer em atividade comércios de venda de produtos alimentícios (hipermercados, supermercados, minimercados, mercearias e afins, padarias, açougues, peixarias, feiras livres (feira food – não consumir no local), quitandas, padarias, centros de abastecimento e congêneres, restaurantes e lanchonetes (com distanciamento mínimo de 2 metros entre as mesas) e operações de delivery.

Também poderão manter as atividades os serviços e produtos de saúde (farmácias, drogarias, clínicas médicas e laboratórios) e postos de combustíveis, loja de conveniências, loja de alimentação para animais, distribuidora de gás e lojas de venda de água mineral.

A relação de estabelecimentos poderá ser reavaliada a qualquer momento, segundo a assessoria de imprensa do governo municipal. Aqueles que desrespeitarem a suspensão de suas atividades terão seu alvará de funcionamento suspenso e, em caso de reincidência, cassado.

REFLEXOS

Nas cinco cidades da RPT, a pandemia do novo coronavírus tem afetado setores diversos, tanto públicos quanto privados, como educação, saúde, segurança, transporte, indústrias, comércio e lazer.

O vírus também tem tido repercussão entre americanenses que estão no exterior. Como prevenção, especialistas e entidades de saúde sugerem que a população se recolha e evite o contato social.

COLABORARAM ANDRÉ ROSSI E GEORGE ARAVANIS