Candidatos da Fuvest apostam em questões com temas políticos; prova já começou


Para a Fuvest, principal porta de entrada da Universidade de São Paulo (USP), candidatos esperam encontrar uma prova com mais questões que explorem a história do Brasil e que não fuja de temas políticos – ao contrário do que aconteceu na última edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A primeira fase do vestibular é aplicada neste domingo, 24, em 35 cidades.

Candidato a uma vaga no curso de Geografia, o estudante Gabriel Diniz, de 18 anos, acredita que o vestibular da USP deve manter o perfil de questões dos últimos anos. “O Enem fugiu muito do padrão das últimas edições, mas acho que a Fuvest não vai mudar”, diz. “Acredito que vai haver questões com temas considerados polêmicos, sobre a ditadura militar ou a Revolução de 1930.”

Prestando a prova pela segunda vez, Diniz diz ter se preparado com rotina de estudo em casa e no cursinho. “O nível das questões é bem mais alto do que no Enem”, afirma.

O Enem deste ano foi o primeiro sob o governo Jair Bolsonaro, crítico do que ele chama de “ideologização” de provas para ingressar em universidades. Após a aplicação do exame, ele elogiou o tom das questões, que deixaram de fora, por exemplo, temas relacionados a períodos militares.

O estudante Lucas Tadeu, de 19 anos, também tem expectativa de serem abordados temas políticos na Fuvest. Ele tenta ingressar na graduação de Educação Física. “Eu estudei bastante História do Brasil, porque tenho confiança que essas questões vão cair.”

Já Gabriela Ludgero, de 19 anos, que pretende cursar Relações Internacionais, acredita que a prova será mais “neutra” em comparação a de anos anteriores. “A Fuvest tem histórico de posicionamento político”, diz. “Mas acredito que vão adotar uma linha diferente para evitar polêmicas. A gente está vendo uma polarização muito forte na sociedade hoje.”

Com mais concorrência do que no ano passado, esta edição da Fuvest é realizada por 129,1 mil candidatos – dos quais cerca de 12 mil são “treineiros”. Há 11,1 mil vagas para 106 carreiras na graduação.

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