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Brasil

Ativista Raull Santiago critica uso de navios para atender pessoas de baixa renda

Por Agência Estado

18 de março de 2020, às 14h43 • Última atualização em 18 de março de 2020, às 19h05

O ativista Raull Santiago, que vive no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, criticou nesta quarta, 18, a ideia do governo de isolar e atender pessoas de baixa renda diagnosticadas com o novo coronavírus em navios de cruzeiro. Nos locais afastados do mar, é considerada a possibilidade de usar quartos de hotéis para o períodos de quarentena. O principal foco da ação, ainda em fase de estudo, são moradores das comunidades cariocas.

Para Santiago, a ação é uma forma de “isolamento de classe e raça”. O ativista também criticou a postura do presidente Jair Bolsonaro diante do avanço do novo coronavírus no Brasil e no mundo. No último domingo, 15, mesmo com orientações para permanecer isolado, Bolsonaro participou de uma manifestação com centenas de pessoas a favor do governo.

“Eu não quero ir para hotel de isolamento ou ser aprisionado em um navio. Eu quero a responsabilização do presidente deste país, que é um ignorante a ponto de zombar de uma pandemia. Eu quero que as pessoas privilegiadas parem de estocar (mantimentos) e comecem a distribuir. A FAVELA NÃO TEM CULPA!”, escreveu Santiago em uma rede social.

Como mostrou o Broadcast/Estadão, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, a ideia do Ministério da Saúde é usar embarcações para atender casos leves do novo coronavírus, que não exigem leitos de UTI. Nesses casos, é recomendado cumprir isolamento em casa, mas o governo considera que nem todos possuem locais adequados para isso. De acordo com o secretário-executivo da Saúde, João Gabbardo, os navios precisariam ser úteis e ter equipes de médicos e enfermeiros. Prática semelhante foi adotada na Itália.

As preocupações com a população fluminense, no entanto, não se restringem aos locais para acomodar casos que precisem de acompanhamento. Como muitos centros urbanos, o Rio sofre com a precariedade do saneamento básico. Neste ambiente, hábitos de prevenção – como lavar as mãos, usar álcool gel e permanecer em isolamento social – tornam-se inviáveis para boa parte da população.

Também da comunidade do Alemão, a comunicadora Tiê Vasconcelos conta que água é item raro. Na casa dela, só chega de madrugada, quando é hora de fazer estocagem em baldes para o restante do dia.

O relato de Tiê pode ser visto no Twitter. Ela e outras dezenas de pessoas participam da hashtag #COVID19NasFavelas, criada nas redes sociais para mostrar a realidade das comunidades do Brasil. “Não tem água na favela para lavar a mão? COMPRA! Eu não posso comprar água nem pra beber. Vou comprar pra lavar a mão? Ter água na favela pra lavar a mão tá sendo luxo. Não fazem ideia da nossa realidade”, postou.

A proposta em estudo pelo governo é vista com ressalvas. O governo, diz ela, precisaria oferecer uma “grande estrutura” para que a pessoa possa “parar a sua vida” e se isolar. Ela destaca que muitos são obrigados a continuar trabalhando para sobreviver.

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