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Cotidiano

Aplicado pela 1ª vez, Enem Digital ocorre neste domingo; veja dicas

Assim como a prova impressa, o Enem digital terá 180 questões objetivas e Redação, mas características próprias

Por Agência Estado

30 jan 2021 às 11:00 • Última atualização 30 jan 2021 às 14:00

O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) terá sua primeira versão digital neste domingo. A prova é o piloto do projeto que prevê a transformação completa do Enem impresso para o digital até 2026, elaborado pelo MEC (Ministério da Educação).

Assim como a prova impressa, o Enem digital terá 180 questões objetivas e Redação, mas características próprias. O Estadão conversou com professores da SAS Plataforma de Educação e do Poliedro para listar dicas aos estudantes que vão estrear neste formato.

Dos 5,8 milhões de inscritos no Enem 2020, 96 mil se inscreveram para o modelo digital. Como não haverá aplicação para os candidatos do Amazonas, por causa da crise sanitária, as provas digitais serão aplicadas a 93.217 estudantes. O Enem Digital ocorrerá em 104 cidades, de acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Os estudantes devem comparecer aos locais de prova estabelecidos pelo instituto. Nos últimos dois domingos, foi aplicada a versão impressa do Enem 2020 – mais de 3 milhões de candidatos não compareceram.

Este será o primeiro Enem de Juliana do Valle, de 20 anos. Moradora do Rio, a estudante optou pela versão digital atraída pela modernização da prova e o fator novidade, mas diz já ter se arrependido. “Eu me sinto um pouco arrependida por conta da precariedade do sistema do site do Inep, que já não é algo que funciona de uma forma muito eficiente. Acredito que o sistema da prova da digital vá seguir essa mesma linha de problemas.”

Juliana teve dificuldades para acessar o local de prova. Só conseguiu no quarto dia de tentativa. Além da preocupação com a nota de corte, a vestibulanda de Jornalismo lida também com a ansiedade de fazer o exame durante a pandemia. “Tenho medo por conta das aglomerações, de colocar minha vida em risco. Faço parte do grupo de risco, pois tenho bronquite.”

Em São Paulo, Leonardo Augusto Camargo, de 22 anos, se sente seguro nesse quesito. “Estou fazendo minha parte, usando máscara e levando meu álcool em gel. Vou tentar sentar próximo à parede para não ficar perto de ninguém”, diz o vestibulando de Medicina, que fará o Enem pela sexta vez.

Neste ano, o frio na barriga é diferente das outras vezes. “Como é o primeiro Enem Digital, causa um desconforto, mas nada demais. Não é um desconforto ruim, é mais uma curiosidade.” Estudante de cursinho, Leonardo já fez cerca de sete simulados online, nos moldes do Enem Digital, e diz que não terá dificuldades.

“Assisti (ao vídeo tutorial do Inep) e achei bem legal. É muito parecido com os simulados online que eu tenho no cursinho. Parece até que copiaram”, afirma Leonardo, que prefere o modelo digital. “O fato de não precisar ficar virando a página já ajuda bastante, mas sei que bastante gente vai ter dificuldade.”

Em resposta à preocupação dos estudantes sobre o funcionamento do sistema e a conexão à internet durante a prova, a assessoria do Inep afirma que a prova independe da rede. O acesso à internet é necessário no momento de baixar a plataforma e transmitir os resultados, mas não durante a realização do exame.

Confira abaixo as dicas de Ademar Celedônio, diretor de Ensino e Inovações Educacionais do SAS Plataforma de Educação, e Fernando Santo, gerente de Inteligência Educacional e Avaliações do Poliedro:

Assista ao vídeo tutorial e conheça a plataforma

A principal dica dos professores é que os candidatos assistam mais de uma vez ao tutorial disponibilizado pelo Inep na página do participante. Na plataforma do Enem Digital, o estudante tem recursos disponíveis para fazer anotações, apagá-las e sinalizar as questões que deseja rever.

“O maior desafio no momento é você de fato conhecer a plataforma, os recursos que tem nela e como vão estar disponibilizadas as questões”, diz Ademar Celedônio, do SAS Plataforma de Educação.

Fernando Santo, do Poliedro, pontua que a experiência de realizar uma prova digital é diferente de uma impressa e reforça a importância de assistir ao vídeo mais uma vez. “Se o estudante chegar lá e ainda for entender como tudo funciona, vai ficar tenso e pode perder tempo. Quanto mais tranquilo o estudante for para a prova, maior será a sua chance de obter boas notas.”

Mantenha a estratégia de realizar as questões fáceis antes das difíceis

No Enem Digital, os professores aconselham que o candidato continue a realizar a prova na ordem em que está habituado: as questões fáceis, médias e, depois, as difíceis. Na plataforma, haverá um mapa de questões, no qual o estudante conseguirá identificar quais já foram respondidas, quais estão em branco e quais ele sinalizou para rever. As questões serão exibidas uma por vez na tela do candidato, com a pergunta e suas respectivas alternativas.

Os professores discordam sobre a vantagem do modelo digital. “Na prova impressa, o estudante tem em mãos um caderno com 32 páginas e precisa desenvolver alguma estratégia de marcação das questões que ele pulou ou deixou para revisar. Por exemplo: circular a questão, marcar o número na capa, dobrar o cantinho da folha”, diz Santo. “No Enem Digital, haverá o mapa de questões, onde o aluno poderá consultar facilmente qual ele pulou ou deixou em branco. Com poucos cliques o estudante poderá localizar as questões desejadas.”

Já para Celedônio, o estudante pode perder tempo para diferenciar as questões fáceis das difíceis. “Quando a gente tem o papel, fica muito mais fácil folhear a prova toda e dali começar a entender quais são as mais fáceis. Muitas vezes, isso se dá pela captação visual. Agora, vai ser diferente.”

Como não é um único arquivo, como PDF, o candidato terá de abrir uma questão por vez para visualizá-la e julgar seu grau de dificuldade. “Talvez o candidato perca mais tempo, porque precisa procurar (as questões). Entretanto, quando você marca uma resposta na prova eletrônica, automaticamente seu gabarito também estará marcado”, diz Celedônio. “Você pode perder tempo procurando as questões, mas vai ganhar por outros meios, como a marcação de gabarito.”

Na reta final, preparação é a mesma do Enem impresso

Como a prova terá questões no mesmo molde da impressa, para aqueles que querem revisar algum conteúdo, a dica é manter o foco nos assuntos que são recorrentes no Enem. O professor Celedônio recomenda rever temas como meio ambiente e obras de Salvador Dalí e Picasso. O professor Santo ressalta a importância do aluno treinar questões digitais. O Estadão listou plataformas gratuitas com simulados online.

Entenda o Enem Digital

As questões são tiradas do mesmo banco de itens do Inep e a correção seguirá a Teoria de Resposta ao Item (TRI), modelo estatístico característico do Enem. A diferença é que neste domingo a prova estará na tela, não no papel. Ainda assim, os estudantes devem levar caneta preta de tubo transparente: a Redação será manuscrita e os candidatos receberão folhas de rascunho para fazer cálculos e anotações. O gabarito, porém, deve ser preenchido diretamente no computador.

Assim como na versão impressa, o Enem Digital tem 5h30 de duração no primeiro dia. Neste domingo, os participantes responderão perguntas nas áreas de Ciências Humanas, Linguagem e Redação. No próximo, 7 de fevereiro, farão as provas de Ciências da Natureza e Matemática.

Candidatos com covid-19 não devem comparecer

A orientação é para que candidatos que sejam diagnosticados ou apresentem sintomas de covid-19 (ou outras doenças infectocontagiosas) não compareçam ao exame. Mediante comprovação, o estudante pode solicitar ao Inep para fazer a prova em nova data. A reaplicação ocorrerá nos dias 23 e 24 de fevereiro e será na versão impressa – mesmo para quem faria o Enem Digital. Saiba como solicitar a reaplicação.

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