Alvos de operação aplicavam silicone industrial em transexuais, diz MPF

Inquérito indica que as vítimas eram exploradas e enviadas para a Itália após procedimentos estéticos arriscados, com uso de silicone industrial


Foto: Tomaz Silva - Agência Brasil
As investigações apontam que o grupo traficou pelo menos 11 vítimas para a Itália em 2017

Investigados da Operação Fada Madrinha, deflagrada nesta quinta-feira, 9, aplicavam silicone industrial em transexuais. A informação é do Ministério Público Federal (MPF), que trabalha em parceria com a Polícia Federal e com o Ministério Público do Trabalho na apuração de tráfico internacional de pessoas e o trabalho escravo.

As investigações apontam que o grupo traficou pelo menos 11 vítimas para a Itália em 2017. O inquérito indica que as vítimas eram exploradas e enviadas para a Itália após procedimentos estéticos arriscados, com uso de silicone industrial.

Segundo a Procuradoria da República, o silicone industrial era usado com finalidade estética para modelagem de bocas, quadris e mamas. O emprego corporal da substância, usada para lubrificar máquinas e motores, é proibido pela Anvisa e pelo Ministério da Saúde, pois pode causar necrose, embolia, deformidades e até a morte. Nos casos apurados, há relatos de vazamentos do silicone e deformação corporal. As investigações indicam ainda o uso de próteses mamárias reutilizadas, vencidas ou de baixíssima qualidade nas vítimas do esquema.

Os alvos das prisões usam redes sociais para aliciar pessoas transexuais com a promessa de participação em concursos de beleza na Europa. Proprietários de repúblicas e pensionatos, alguns investigados oferecem procedimentos cirúrgicos para que as vítimas assumam corpos femininos antes de viajarem.

A Procuradoria afirma que, para se hospedarem nos locais e financiarem a transição corporal, as transexuais adquirem dívidas altíssimas e se tornam prisioneiras dos criminosos, sendo reduzidas a condição análoga à de escravo. O endividamento é agravado pelo superfaturamento das intervenções estéticas e pelos altos valores cobrados para a remessa das vítimas ao exterior.

“Para conseguirem se manter na república, e com a sempre esperança de alcançarem o sonho da identidade de gênero e verem seus corpos transformados, elas se prostituem nas ruas da região, não sendo a elas permitido voltar à casa sem o faturamento mínimo do dia”, ressalta o MPF. Além da exploração sexual, as vítimas são submetidas a condições degradantes e têm a liberdade restringida, não apenas em virtude das dívidas contraídas, mas também por ameaças e violência física.

A PF informou que 52 federais cumprem cinco mandados de prisão preventiva e oito mandados de busca e apreensão nas cidades de Franca (SP), São Paulo (SP), Goiânia (GO), Aparecida de Goiânia (GO), Jataí (GO), Rio Verde (GO) e Leopoldina (MG), todos expedidos pela 2ª Vara Federal de Franca, SP.

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