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Cotidiano

Alta de casos da Covid faz PR adotar toque de recolher à noite; medida funciona?

Por Agência Estado

02 dez 2020 às 12:16 • Última atualização 02 dez 2020 às 13:06

O governo do Paraná impôs toque de recolher noturno na região leste do Estado em resposta à escalada de casos de covid-19 que sobrecarrega o sistema de saúde de Curitiba, região metropolitana e litoral. Medida semelhante também foi adotada por autoridades na Europa durante a pandemia. Ordenar que a população permaneça em casa à noite ajuda a frear a disseminação do coronavírus?

Especialistas ouvidos pelo Estadão afirmam que essa medida pode ser eficaz, mas precisa ser acompanhada por outras ações. Celso Granato, infectologista e diretor clínico do Grupo Fleury, afirma que locais como bares e restaurantes, que têm movimentação à noite, são espaços de aglomeração que poderiam disseminar o vírus. “Temporariamente, o toque de recolher pode diminuir os casos. Se as pessoas têm contato mínimo, não há como transmitir. Mas não adianta fazer um fechamento rigoroso e depois voltar tudo ao normal”, explica Granato, afirmando que os resultados de um possível toque de recolher no número de casos e óbitos apareceriam depois de duas semanas.

Para Domingos Alves, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, o toque de recolher pode reverter a curva de casos e mortes. Mas a testagem, o rastreamento e o isolamento deveriam ocorrer em paralelo. “Em Curitiba, uma moça foi para uma balada, pegou o vírus e transmitiu para 18 pessoas, duas já foram a óbito”, diz ele, lembrando um caso ocorrido na capital paranaense.

“Se uma testagem identificasse essa menina e ela ficasse isolada, a rede de contato dela seria interrompida”, diz Alves. Para ele, a testagem em massa seria mais eficaz do que restringir segmentos econômicos dos municípios, incluindo aí a possibilidade de fechamento do comércio.

Na Itália, medida motivou protestos nas ruas

Países da Europa como Portugal, Itália e França adotaram o toque de recolher a partir de outubro, quando a segunda onda da doença se espalhou pelo continente. Após recorde de infecções em um dia – 20 mil em 24 horas -, o governo italiano voltou a adotar medidas mais rigorosas.

“O objetivo é claro: manter a curva de contágio sob controle, pois é a única maneira de controlar a pandemia sem sermos submersos”, explicou o primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte. As medidas, porém, não foram bem recebidas e manifestantes de extrema direita protestaram contra o toque de recolher e entraram em confronto com a tropa de choque no centro histórico de Roma.

“Isso vai nos destruir”, disse à AFP Augusto d’Alfonsi, dono de um restaurante na capital. “Já perdemos 50% dos nossos clientes este ano. Sem ajuda do governo, estamos acabados”, afirmou.

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