Mudança em programa afeta atletas da Natação Americana

Décima melhor do País, equipe concentra os três esportistas da RPT prejudicados pela medida


A RPT (Região do Polo Têxtil) teve três esportistas prejudicados pela exclusão das categorias Atleta de Base e Estudantil. Todos eles fazem parte da Associação Natação Americana, a décima melhor equipe da modalidade no País, conforme ranking da CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos).

Os nadadores são Rafael Najm de Oliveira, Julio Cesar Covolam e Tiago Camargo, que integravam a categoria Atleta de Base e, portanto, recebiam R$ 370 mensais. Juntos, em provas de revezamento, eles conquistaram uma medalha de prata e outra de bronze no Campeonato Brasileiro Juvenil. A equipe contou ainda com Murilo Sartori.

Tiago, que também conseguiu a terceira colocação nos 200 metros borboleta, lamentou a perda do benefício e criticou o corte feito pelo governo Michel Temer (MDB). “A gente está bem abalado sobre esse assunto. A gente treina duro o ano todo, tem um objetivo, mas sabemos que, sem incentivo e investimento, o atleta não consegue chegar a lugar nenhum. A gente não tem condição, deixa de subir escadas”, afirmou. Ele destacou que precisava da verba. “Sou de família bem humilde. Os meus pais têm pouca condição e a gente conta muito com essa ajuda. Como o governo quer ter uma elite para a Olimpíada se não tem investimento na base? E essa ajuda faz muita falta para a gente”.

Foto: João Carlos Nascimento / O Liberal
Murilo Sartori, por sua vez, subiu de categoria na atualização para 2019

Se o Ministério do Esporte – extinto pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e transformado em secretaria especial do Ministério da Cidadania – mantivesse o critério de seleção de beneficiados, outra nadadora de Americana passaria a ter direito ao repasse neste ano: Gabriela Maria Alves Carvalho, atual vice-campeã brasileira juvenil nos 100m e 200m livre. Mas ela também ficou de fora da lista dos contemplados.

UTILIZAÇÃO

Segundo Fábio Cremonez, técnico da Natação Americana, os atletas costumam usar o dinheiro para fins “pontuais”. “Não é um valor muito alto, mas é um valor que ajuda mensalmente, por exemplo, na compra de algum suplemento. Precisa às vezes investir um pouco mais num médico, numa alimentação. Ajuda também em viagens, competições. Então, se consegue ter uma estrutura melhor. Às vezes, precisa comprar algum material, um maiô, uma sunga, uma bermuda de competição”, comentou.

De acordo com ele, também há esportistas que guardam esse dinheiro para terem uma vida melhor no futuro. “Tem alguns atletas que acabam até guardando esse dinheiro, fazendo uma poupança para o futuro e até para os estudos também. Pode ajudar a pagar uma escola melhor”.

O único nadador da região que continua no programa federal é Murilo Sartori, atualmente na classe Internacional. Em 2018, ele estava na categoria Atleta de Base.

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