União se organiza para tentar 'bolada' em negociação de Oscar

Meia foi descoberto na escolinha de futebol do clube social de Santa Bárbara entre os anos de 2002 e 2004; time pode receber mais de R$ 500 mil


Foto: Lucas Figueiredo / CBF
Nascido em Americana, meia está perto de concluir sua saída do Chelsea para a China em negócio milionário

A possível ida do meia Oscar, do Chelsea, para o futebol chinês despertou a atenção do União Barbarense. O clube estuda meios de provar que participou da formação do atleta para receber uma parte do montante da negociação com o Shangai SIPG, estimada em R$ 212 milhões, através do mecanismo de solidariedade da Fifa. Se reunir os documentos necessários, o Leão da 13 pode receber uma “bolada” superior a R$ 500 mil.

O mecanismo de solidariedade prevê que 5% das transações sejam divididas entre os clubes formadores, que participaram da evolução do atleta, dos 12 aos 23 anos. O São Paulo, por exemplo, tem direito a 2,36% do valor, ou R$ 5 milhões. O Internacional, por sua vez, deve receber 0,82% da transferência, o equivalente a R$ 1,74 milhão. Antes de defender os dois clubes, Oscar foi descoberto na escolinha do clube social do União, onde jogou de 2002 a 2004, quando completou 13 anos de idade.

O problema, para o Leão da 13, é que naquela época o time não disputava competições da FPF (Federação Paulista de Futebol), onde poderia ter sido registrado oficialmente. Mesmo assim, o presidente Jairo Araújo promete estudar a situação com o advogado Régis Godoy. “Eu já fiz foto dele segurando duas taças num torneio que ele foi artilheiro e campeão com o União. As fichas dos campeonatos da Seme (Secretaria Municipal de Esportes de Santa Bárbara d’Oeste) também conseguimos levantar”, diz o mandatário unionista, que lembra que o clube não conseguiu reunir os documentos necessários na primeira transferência internacional do meia, do Inter para o Chelsea, em 2012.

Foto: DPPI / FRAMEPHOTO / EC
Jogador está com pouco espaço no Chelsea na atual temporada

Segundo o executivo de futebol americanense Giovane Martineli, que já trabalhou no Red Bull e no Botafogo-PB, o período em que Oscar jogou no projeto de base do União pode render dividendos ao clube, desde que a diretoria consiga comprovar o vínculo. “Na teoria, o União Barbarense teria direito a pelo menos 0,25% do valor da transferência, podendo chegar até a 0,5%. Como a transferência está sendo estimada em mais de R$ 200 milhões, o União teria direito, no mínimo, a mais de R$ 500 mil. Basta comprovar”, afirma o profissional.

Já para o advogado especialista em direito esportivo Breno Tannuri, a tarefa do Leão da 13 para ganhar parte da transferência não deve ser das mais simples. “O clube vai ter que apresentar o registro do atleta com o time e provar que participou da formação e educação do jogador. Ratificado isso, vai ser necessário solicitar o passaporte esportivo através da FPF, para que depois a CBF aponte o documento com todos os clubes que participaram da formação do Oscar entre seus 12 e 23 anos de idade”, explica o advogado. “Nesse caso em que o atleta não foi devidamente registrado a uma federação com 12 ou 13 anos, fica mais difícil. Mas não impossível”, finaliza

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