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Arte

Paula Luchiari: americanense é artesã das miudezas

Ressignificações e sustentabilidade são mensagens presentes nas obras em miniatura da americanense Paula Luchiari, que tem peças em exposição no Chile

Por Rodrigo Pereira

27 fev 2019 às 09:12 • Última atualização 27 fev 2019 às 09:14

Vez ou outra, ao falar sobre si e sua arte, a americanense Paula Luchiari cita algum verso do poeta das miudezas, Manoel de Barros. Tal conexão com o escritor mato-grossense encontra explicação no fato de que já na infância, por exemplo, imaginava universos complexos dentro das rachaduras no tronco de uma árvore.

Hoje, ela consegue fazer caber na palma da mão não apenas a miniatura de uma casinha velha ou abandonada que criou, uma de suas especialidades, mas também uma miscelânea de mensagens, que vão de recomeços a ressignificações. E tudo isso dentro de um contexto de sustentabilidade: não compra materiais para produzir, mas reaproveita papéis ou embalagens que seriam jogados no lixo.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Paula Luchiari tem como objeto a conscientização sobre o consumo

Uma trajetória que começou há pouco mais de um ano, quando deixou o último trabalho “formal” e decidiu dedicar-se à arte. Hoje, vê o número de encomendas crescer, participa de feiras, ministra oficinas e está com obras expostas em Santiago, no Chile, até o final de fevereiro, promovida pela Universidade do Papel, de São Paulo.

Formada em Tecnologia Têxtil em 2009, Paula trabalhou por vários anos na área, período no qual agregou aprendizado sobre texturas e cores. “No final de 2017, eu sentia que meus grandes esforços haviam falhado. Meu casamento de mais de uma década e minhas expectativas na carreira profissional, que eram dois dos meus maiores projetos e investimentos de energia, já não existiam mais como horizonte, e eu honestamente não queria me decepcionar comigo mesma novamente. Acredito que as miniaturas tenham sido uma tentativa simbólica e inconsciente de avançar, mas minimamente”, conta. Paula se separou e decidiu desligar-se definitivamente das “rotinas e cobranças, aos valores insustentáveis, metas inatingíveis”, demitindo-se do último serviço, em uma indústria de alimentos.

Sua atividade principal na vida foi sempre escrever, mas a partir daí sentiu que precisava se comunicar de uma maneira diferente. “Existia em mim uma necessidade de criar, reconstruir e recomeçar. Foi assim que voltei a desenhar, sem nenhuma pretensão além de me conectar com as histórias que eu havia vivido”, explica. Os desenhos são a base das estruturas de suas casinhas, janelas “estreladas”, quadros, uma vasta diversidade de animais, entre outras peças.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Paula Luchiari tem peças em exposição no Chile

Quando teve a ideia de construir sua primeira casa abandonada, a artesã recorreu à última folha do seu bloco de papel Canson. Logo estava reaproveitando tudo, de embalagens a rolos de papel higiênico. O consumo consciente se funde, por vezes, com seu conceito de liberdade criativa e profissional. “Utilizei os cartões de visitas para os quais eu deveria ter enviado meu currículo, ingressos de shows, título de eleitor, e inúmeros outros tipos de papéis”, conta. Sua arte intimista ainda abarca temas como conexões, vínculos, abandonos e solidão.

Paula conta histórias sobre suas obras no Instagram, meio pelo qual também é possível contatá-la para fazer encomendas.

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