Defesa Civil interdita cinco casas em Sumaré

Outras quatro famílias residentes nas margens do córrego Tijuco Preto se recusaram a sair do local, apesar dos riscos


A Defesa Civil de Sumaré interditou anteontem cinco casas no Jardim Nova Terra, na região do Matão, em Sumaré. No local, em dezembro do ano passado, uma casa desmoronou por conta de uma erosão nas margens do Córrego Tijuco Preto.

Na Rua Zero, como é conhecida a área próxima da erosão, outras quatro famílias também foram intimadas a sair da área de ocupação esta semana, mas não quiseram deixar as residências que estão correndo risco. O tráfego de veículos foi interditado na rua.

A cabeleireira Verônica Avelino de Oliveira, que mora em frente a erosão, diz que os moradores esperam desde 2013 uma providência da prefeitura. “Ninguém fez nada. No sábado, o buraco aumentou com a chuva do final de semana e eles vieram aqui querendo que a gente assinasse o seguro aluguel, só que ninguém vai sair daqui”, comentou a moradora, que diz viver há dez anos no local.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Devido às chuvas intensas dos últimos dias a erosão tomou conta do local e preocupa

O valor do auxílio-moradia é de até 80% do valor do salário mínimo federal vigente, o que daria R$ 704 hoje. No dia 17, a prefeitura já havia iniciado obras de contenção e desassoreamento do córrego, mas os trabalhos tiveram de ser suspensos por falta de condições técnicas, de acordo com o Executivo.

Ainda não há data para a retomada dos serviços. Até o momento da suspensão já haviam sido utilizados 480 metros cúbicos de pedras e terra para recompor as margens.

“O problema é o grande índice de chuvas. Choveu mais de 466 milímetros em fevereiro, o que saturou o solo. Com as enxurradas que descem para esse córrego, isso tudo levou à erosão, que se agravou de segunda-feira para terça”, explicou o superintendente da Defesa Civil, Josué Fernandes dos Santos.

A assessoria de imprensa da prefeitura informou que o Tijuco Preto possui sete quilômetros de extensão e recebe águas pluviais de um loteamento de cerca de 15,7 km².

Segundo a assessoria de imprensa da administração municipal, “as famílias que não quiseram deixar os imóveis tiveram de assinar um boletim de ocorrência se responsabilizando pela sua própria permanência nas construções”.

“Quando o órgão interdita um imóvel é porque concluiu que é muito alto o risco de ali ocorrer algum acidente grave. A primeira e principal coisa a fazer é sair do local. Agora, teremos que remeter o caso ao Ministério Público Estadual”, afirmou o superintendente da Defesa Civil do município.

De acordo com a moradora ouvida pelo LIBERAL ontem, as condições do auxílio-aluguel não são suficientes. “Nós somos pobres e não dá para morarmos em casa de aluguel com o que eles oferecem”, comentou. O valor do auxílio-moradia é de até 80% do valor do salário mínimo federal vigente.

Erosão está ameaçando a ETE Carioba

Outro local que está sob ameaça de erosão é a ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) Carioba, em Americana.ETE CARIOBA

Localizada próxima as margens do Ribeirão Quilombo, no ponto onde as águas encontram o Rio Piracicaba, o avanço do desmoronamento já está a aproximadamente cinco metros de distância do portão de entrada para funcionários e da guarita.

A estação fica em frente a uma ponte que divide o centro de tratamento das antigas fábricas de tecelagem. Em alguns pontos a terra já começou a ceder.

A equipe de reportagem do Grupo Liberal esteve no local no fim da manhã de ontem e localizou uma retroescavadeira e algumas redes metálicas usadas para construir muros de contenção de pedras.

Nenhum funcionário foi visto trabalhando ou nas imediações. De acordo com o DAE (Departamento de Água e Esgoto), “todas as medidas preventivas para o tráfego seguro foram tomadas, sob a fiscalização da seção de segurança”.

O departamento ainda informou que a Secretaria de Obras do município está estudando medidas para solucionar a erosão, mas não confirmou se os serviços já estão em andamento.

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