Quadrilha que clonava até mil cartões por dia é alvo da Operação Mandrak

Polícia Civil de Campinas cumpriu 13 mandados de busca e apreensão em três cidades da região; grupo atuava nacionalmente


Foto: Edson Lopes Jr. / A2D
Batizada de “Operação Mandrak”, a investigação teve início há seis meses e é de responsabilidade do 1º DP (Distrito Policial) de Campinas

A Polícia Civil de Campinas cumpriu na manhã desta segunda-feira 13 mandados de busca e apreensão em Campinas, Hortolândia e Valinhos contra uma quadrilha especializada em clonar cartões. Oito pessoas foram conduzidas para prestar depoimentos, mas ninguém foi preso.

Batizada de “Operação Mandrak”, a investigação teve início há seis meses e é de responsabilidade do 1º DP (Distrito Policial) de Campinas. A polícia identificou 17 membros do grupo, que teria capacidade de clonar entre 700 e mil cartões por dia.

O delegado do 1º DP, Hamilton Caviolla Filho, chegou a pedir a prisão temporária dos suspeitos, mas a solicitação foi negada pela Justiça. Ao todo, 10 mandados foram cumpridos em Campinas, dois em Valinhos e outro em Hortolândia.

De acordo com a investigação, o grupo conseguia os dados dos cartões com outra quadrilha, que utiliza “chupa-cabras” em caixas eletrônicos para conseguir os dados dos usuários. A polícia ainda não identificou os membros deste outro grupo.

“O que nós estamos entendendo é que esse pessoal, apesar de ser baseado aqui em Campinas, as vítimas deles são a nível nacional. Eles clonavam cartões de várias pessoas, várias instituições bancárias espalhadas pelo Brasil. Um dos conduzidos hoje aqui na delegacia falou que era normal esse pessoal diariamente aparecer com 700 a mil cartões”, afirmou Hamilton.

Entre os itens apreendidos ontem, estão celulares, pen drives, três carros e diversos documentos que serão analisados, como códigos dos cartões que os criminosos extraíram dos chupa-cabras. A polícia vai acionar os bancos para que identifiquem as vítimas dos crimes.

O delegado disse que a rejeição dos pedidos de prisão temporária dificulta o trabalho, mas acredita que não prejudicará o resultado final da investigação.

“Foram todos ouvidos, uns confessaram, outros não. Agora temos que analisar essa documentação apreendida e depois, numa segunda oportunidade, pedir a prisão deles novamente. Eu entendo que eles [Justiça] negaram por, no final, ser crime de estelionato, crime sem violência”, disse Hamilton.

Ainda não é possível estimar o prejuízo financeiro provocado pela ação dos criminosos. A operação foi batizada como “Mandrak” porque, nas palavras do delegado, os envolvidos “sumiam” com o dinheiro das vítimas.

Em nota, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) confirmou o cumprimento dos 13 mandados e o indiciamento de três suspeitos. “A operação segue em andamento”, completa.

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