Amigo diz que atirador de Campinas relatava ameaças

Conforme o relato, Euler reclamava de perseguições e dizia precisar de uma arma para "matar essas pessoas"


Uma pessoa que teve contato por quase dez anos, desde 2007, com Euler Fernando Grandolpho, de 49 anos, contou à Polícia Civil de Campinas nesta quinta-feira que o atirador da Catedral de Campinas pediu ajuda para comprar uma arma “fria”. Cinco pessoas, além do autor do crime, morreram na tragédia, ocorrida na terça-feira.

A testemunha, que teve o nome preservado e trabalhava com segurança privada, levou uma moto para reparos na oficina mecânica que o atirador manteve durante algum tempo. Conforme o relato, Euler reclamava de perseguições e dizia precisar de uma arma para “matar essas pessoas”, referindo-se aos supostos perseguidores. O homem fez relatos semelhante em um diário encontrado pela polícia.

Conforme o delegado Hamilton Caviolla Filho, titular do 1º Distrito Policial, a testemunha relatou que, inicialmente, Euler, parecia pessoa “normal e confiável”. “Isso foi lá em 2007, quando se tornaram, de certa forma, amigos em razão dos contatos frequentes. No ano seguinte, as coisa já começaram a mudar”, disse o delegado. A testemunha contou que, após a morte da mãe, há oito anos, as mudanças de comportamento se acentuaram. O atirador passou a manifestar um comportamento “fora do normal”.

A testemunha disse que Euler sentia-se perseguido, pois achava que os carros que passavam defronte à oficina estavam à sua procura. Em certa ocasião, ele chegou a passar algumas placas de veículos, pedindo que o amigo as pesquisasse, pois acreditava estar em perigo. O gerente da oficina pediu a colegas policiais que fizessem a checagem, mas nada de anormal foi achado e ele passou a duvidar dos relatos. Mesmo assim, recomendou que o amigo denunciasse o fato à polícia.

Na época, Euler procurou o 5º DP de Campinas e fez um boletim de ocorrência sobre a suposta perseguição. A testemunha disse que o atirador reclamou do fato de a polícia não ter levado o caso adiante. “Na ocasião, ele disse que tinha filmado as placas dos carros e a delegada da época pediu que ele apresentasse as imagens, mas ele nunca levou”, explicou o delegado. Foi quando, segundo a testemunha, Euler pediu ajuda para comprar uma arma não registrada. O depoente disse que, após esse pedido, ele se afastou de Euler. Ele não soube precisar a data em que isso aconteceu, mas foi após a morte da mãe de Grandolpho, em 2016.

Conforme o delegado, o depoimento é mais uma peça no quebra-cabeças que a polícia está tentando montar para compor o perfil psicológico do atirador. “Fica cada vez mais claro que ele sofria de um quadro psicótico que pode ter contribuído para o desfecho, mas ainda temos um longo caminho de investigação”, disse. Familiares já haviam dito que, depois que perdeu a mãe e o irmão caçula, Euler vivia dizendo que a vida dele não fazia mais sentido. Ele passou a morar com o pai, em um condomínio de Valinhos, mas vivia isolado no quarto. Conforme a família, ele tinha depressão e chegou a passar por tratamento.

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