Na RPT, Hortolândia paga maior salário para mulher

Em 2014, salário médio pago para trabalhadoras do município foi de R$ 1.509, 18,8% menor do que o rendimento dos homens


[\vid]Hortolândia é a cidade da RPT (Região do Polo Têxtil) onde a mulher ganha o melhor salário, com média de R$ 1.509,91 no ano passado. O rendimento mensal, porém, é 18,8%, ou R$ 283,19, menor se comparado ao do homem. Apesar da disparidade, o município possui o menor índice de desigualdade salarial entre homem e mulher da região. A mulher de Hortolândia, inclusive, só não ganha mais que os homens de Sumaré. Em 2014, Santa Bárbara d’Oeste teve o maior percentual de desigualdade: os rendimentos da mulher foram 31,8% menor que do homem.
[\img-1]Os números de Hortolândia, compilados com os dados disponibilizados pelo Caged, do Ministério do Trabalho, podem ser explicados, segundo a administração, por dois motivos: pela cidade ser um polo de alta tecnologia e pelas políticas públicas voltadas para as mulheres. Quando uma indústria começa as negociações para se instalar na cidade, um dos pedidos da Secretária de Indústria, Comércio e Serviços é de que haja equiparação salarial entre os sexos. “Essa medida visa a valorização da trabalhadora e do trabalhador. Na negociação de políticas públicas de gênero, entendemos que a mulher precisa ter a mesma oportunidade para poder galgar cargos mais altos”, explica a diretora do Departamento de Políticas Públicas para Mulheres, Laureana Gomes.

A medida não se trata de uma imposição à indústria, mas faz parte dos diálogos durante as negociações. “Temos grandes empresas na cidade e geralmente elas já têm uma política de salários independente do gênero”, afirma. Na indústria de Hortolândia, o salário médio da mulher foi de R$ 2.334,36 no ano passado, de acordo com dados disponibilizados pelo IBGE. É o melhor setor para a mulher se trabalhar na cidade.

[\img]Para a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, Marisa Capelassi, a notícia do município ter o menor índice de desigualdade salarial é animadora, mas ela ressalta que ainda precisa ser melhorado. “Ainda há preconceito, porque isso é uma questão educacional e cultural. A mulher sempre foi julgada inferior por ser do sexo feminino. Isso é um trabalho a longo prazo, mas chegará uma hora que a questão não vai ser o salário, o que vai diferenciar o trabalhador será a competência”, avalia.

Na avaliação da presidente do Conselho Municipal de Direitos da Mulher, é preciso ter investimento na educação contínua. “Se exigimos a equiparação salarial por competência, a mulher precisa ter formação equivalente para poder exigir alguma coisa”, diz Marisa. Para Laureana, a educação é a base para se mudar a realidade da sociedade, inclusive a questão do preconceito contra a mulher. “Não podemos dizer que não existe preconceito, porque é uma realidade. Mas, a Prefeitura de Hortolândia tem trabalhado para a autonomia econômica da mulher”, ressalta Laureana.

Dentre as políticas públicas adotadas no município, está o oferecimento de cursos de capacitação para as mulheres. A administração possui três centros de qualificação e visa motivar o empreendedorismo feminino. Além disso, a prefeitura oferece formação específica na área de costura e fornece uma bolsa-auxílio para que a mulher consiga frequentar os cursos. As interessadas podem obter mais informações no site www.hortolandia.sp.gov.br.

[\img-2]‘Promoção foi minha competência’
Isabel de Souza, de 52 anos, é líder do setor de prevenção da unidade de Hortolândia de uma rede de supermercados da região. Ela chefia uma equipe de seis homens e quatro mulheres, que trabalham para prevenir possíveis furtos e ocorrências dentro do mercado. “Existe um grande respeito. Sinto que existe uma convivência boa e que eles confiam no meu trabalho”, explica. Ela trabalha na rede de supermercados há quase 8 anos, quando foi contratada para ser segurança de uma das lojas de Paulínia. Quando o setor de prevenção foi implantado, ela foi promovida a fiscal de loja, fez um curso interno e conseguiu virar líder do setor. “A promoção foi graças a minha competência e insistência”, aposta.

Depois de 20 anos morando em São Paulo e atuando como segurança em um teatro na Avenida Paulista, ela e sua família se mudaram para Paulínia. O marido, que também é vigilante, conseguiu uma colocação no mercado quase que imediata depois da mudança, o que não aconteceu para Isabel. “Demorei um ano para conseguir um emprego, porque ainda existe preconceito da mulher ser segurança. Às vezes, a pessoa não entende, mas nada que não tenha superado”, explica. Em uma das vezes que sentiu o preconceito na pele, Isabel tinha acabado de abordar um vendedor ambulante dentro do estacionamento do mercado e teve que ouvir palavrões. “No fim, ele conseguiu entender que estava fazendo meu trabalho, entrou no carro e foi embora da loja”, conta.

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