Ex-presidente de cooperativa contesta 'rombo' milionário

O ex-presidente do Conselho de Administração da Unimais Bandeirante (Cooperativa de Médicos e Profissionais de Saúde), […]


O ex-presidente do Conselho de Administração da Unimais Bandeirante (Cooperativa de Médicos e Profissionais de Saúde), Armando Lazzaris Fornari, contestou nesta quarta-feira, em entrevista ao LIBERAL, o valor de R$ 114,5 milhões previsto para ser rateado entre os associados após a incorporação da associação pela Unicentro Brasileira.

Segundo Fornari, o montante é resultado da subavaliação, pela Sicoob Confederação (uma espécie de terceira instância dessas cooperativas), de bens dados em garantia para operações de crédito da instituição financeira.

“Não é prejuízo, é reserva. A auditoria feita pela confederação analisou num cenário de stress e abaixo do que temos nas nossas avaliações. Acreditamos que quando feita uma reavaliação desses imóveis o valor será próximo ao nosso, pois quem fez as avaliações é uma empresa especializada”, afirmou.

Na visão do ex-dirigente, o “rebaixamento” dessas garantias fez com que o Banco Central, durante fiscalizações, apontasse a necessidade de provisionamento – uma reserva feita por instituição financeira para garantir suas operações – dos R$ 114,5 milhões.

“Teríamos que fazer uma provisão muito grande e isso não seria possível. Por isso optamos pela incorporação com uma cooperativa bem maior, que poderia fazer a provisão e, depois, num período de 15 anos ir amortizando”, disse.

Ele apontou, ainda, a possibilidade de o rombo ser coberto pelo lucro da Unicentro Brasileira, sem a necessidade de aporte pelos associados. “Nossos cooperados não tiveram nenhuma perda de capital. Está inteiro na conta deles e recebendo juros. Se continuarmos a trabalhar com a cooperativa, a provisão será resolvida com as sobras e ainda terão seu capital remunerado”, ressaltou.

Um dia antes da entrevista de Fornari, o diretor de Desenvolvimento e Supervisão da Sicoob Confederação, Francisco Reposse Jr. afirmou que a carteira de crédito da cooperativa com sede em Americana foi deteriorada pela inadimplência.

“Esses R$ 114 milhões são fruto, boa parte, de operações de crédito não honradas. A carteira foi se deteriorando ao longo do tempo e o Banco Central, nas suas auditorias e fiscalizações, fez a exigência de provisionamento dessa inadimplência, o que gerou uma dificuldade operacional” declarou.

A ata da reunião em que foi confirmada a incorporação da Unimais Bandeirante pela Unicentro Brasileira traz um dispositivo que transfere para os ex-administradores o ônus por qualquer processo destinado “a apurar razões para o estágio em que se encontrava a cooperativa”.

O ex-dirigente considerou o trecho normal. “Significa que os dirigentes da cooperativa que incorporou só respondem pelos atos após a incorporação. Por isso agem sempre com critério prudencial nos valores contábeis”, completou.

Quem vai pagar os R$ 114,5 milhões?

- Com a homologação da incorporação, clientes da Unimais Bandeirante foram informados de que o valor seria rateado, de acordo com a movimentação financeira de cada um, em um prazo de até 15 anos

- A antiga diretoria da cooperativa extinta afirma que o montante a ser provisionado será menor com a recuperação do valor das garantias

- A Sicoob Confederação aponta que sobras anuais da cooperativa incorporadora vão servir para cobrir o montante. Sem o rombo, no entanto, elas seriam distribuídas aos próprios associados

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