Natividade: berço histórico do Tocantins

Cidade preserva a arquitetura colonial, festas religiosas tradicionais, folclore, gastronomia típica e atrativos naturais que encantam os turistas


O município de Natividade remonta às origens do Tocantins, ao ciclo do ouro, quando os bandeirantes enfrentaram a resistência dos índios Xavantes e ocuparam a região Norte de Goiás, entre 1724 e 1734, dando origem ao primeiro povoamento do estado. As relações entre colonizadores, escravos, mineiros, sertanistas, missionários e criadores de gado resultaram no sítio histórico reconhecido pelo IPHAN como Patrimônio Nacional. O casario com cerca de 250 prédios coloniais e igrejas preservadas, entre ruas estreitas e muros de pedra construídos por escravos, guardam a memória do Tocantins.

Entre as igrejas destacam-se a de São Benedito e a Matriz de Nossa Senhora da Natividade, de 1759. No altar, os nativitanos veneram a imagem da padroeira do Tocantins que chegou ao estado pelo rio Tocantins e foi levada pelos escravos até o Arraial. Os negros também ergueram a igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, construída em pedra canga. A obra, até hoje inacabada, foi iniciada no século XVIII e paralisada por volta de 1817. As ruínas de natividade são uma das referências da raça negra no coração do Brasil.

Foto: Prefeitura de Natividade / Divulgação
Município de Natividade remonta às origens do Tocantins, ao ciclo do ouro, quando os bandeirantes enfrentaram a resistência dos índios Xavantes e ocuparam a região Norte de Goiás

As tradições dos povos quilombolas também estão presentes no folclore e festas religiosas, entre elas, a do Divino Espírito Santo. Já o Centro Bom Jesus de Nazaré (Sítio da Jacuba) destaca-se pelas construções feitas com pedras. São figuras que representam humanos, magos, pássaros gigantes, formas estelares e geométricas. O local é considerado místico pelos moradores da região e visitantes. As obras são feitas a partir das “visões” de Dona Romana, moradora local.

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OURO – A cidade que hoje tem 10 mil habitantes, chegou a ter 40 mil escravos no ciclo do ouro. O metal precioso era escoado em lombos de burros que transportavam as “bruacas de ouro” em caravanas até Salvador (BA). Ainda hoje, Natividade tem minas de ouro em atividade e se destaca pela produção de joias artesanais.

Os artífices locais mantêm a técnica da ouriversaria em filigrana (fios de ouro) herdada dos portugueses. Outra joia de Natividade é o amor-perfeito, biscoito fino assado em forno a lenha, bastante apreciado pelos turistas, além dos doces e licores caseiros de frutas do cerrado. O artesanato é feito, principalmente, da fibra do buriti e barro.

Foto: Prefeitura de Natividade / Divulgação
Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos

Natividade também atrai turistas em busca de natureza e aventura. O ecoturismo é propiciado por trilhas, rios e cachoeiras. No Paraíso das Águas, os visitantes têm opções de banho nas cachoeiras do Purgatório, do Amor e Paraíso. Nessa última, a água some em um poço e reaparece numa cascata que se forma no cânion. Já a caminhada pela trilha de 6 km até o alto da Serra de Trindade, leva o visitante às ruínas da povoação original, conhecida como Arraial de São Luiz, além da contemplação da natureza rica em diversidade da fauna e flora.

CURIOSIDADE – O ciclo do ouro em Goiás teve destaque nas cidades de Goiás, antiga capital do estado e Patrimônio da Humanidade da UNESCO, Pirenópolis e Natividade (TO). No início do século XIX, entre 1809 e 1823, Natividade, São João da Palma – hoje Paranã -, Cavalcante e Arraias dividiram a sede administrativa do Norte goiano, quando o estado foi dividido em duas comarcas e ocorreram as primeiras tentativas de autonomia do Tocantins.

O nome da capital do estado, Palmas, é uma homenagem a esse movimento separatista consolidado somente em 1988. Por isso, Natividade é considerada a “Mãe do Tocantins”. Um lugar onde os homens fixaram raízes há quase 300 anos e começaram a formatar um estado e a escrever a história do Tocantins.