A pequena e grande histórica Tiradentes

Cidade foi fundada no século 18 quando o Ciclo do Ouro estava em expansão: em cada esquina, uma surpresa


Tiradentes é um daqueles lugares que vive num ritmo particular. Convida a andar sem pressa pelas ruas estreitas de pedra, com o olhar atento aos detalhes dos casarios coloridos, das igrejas barrocas, das praças, dos museus. Em cada esquina, uma surpresa. Em cada cantinho, uma história. Mas, além de ter um patrimônio histórico e cultural riquíssimo, Tiradentes também conquista com sua arte, bela gastronomia e pousadas super charmosas. É uma pequena grande cidade.

A cidade foi fundada no século 18 quando o Ciclo do Ouro estava em expansão em Minas Gerais e os paulistas encontraram metais preciosos nas encostas da Serra de São José. Inicialmente era só um acampamento. Conforme foi crescendo, virou um vilarejo e recebeu o nome de São José. Mais tarde, em 1789, foi palco da Inconfidência Mineira, um dos movimentos sociais mais importantes do povo brasileiro pela liberdade, contra o domínio do governo português, no período colonial.

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Tiradentes

Tiradentes, Joaquim José da Silva Xavier, foi o líder da revolta que não foi bem sucedida. Ele foi aprisionado e enforcado. Em 1889, após a proclamação da República, o nome do herói nacional foi adotado em sua homenagem. Em 1938, a cidade foi tombada como patrimônio histórico pelo Sphan (Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Isso garantiu a preservação dos sobrados, igrejas, lampiões e monumentos.

Caminhar pelas ruas de Tiradentes é puro deleite. Comece pelo Chafariz São José. Parada obrigatória. Ele marca o início da ladeira que conduz à Matriz Santo Antônio. Foi construído em 1749 pelos escravos para abastecer o vilarejo com água potável, para lavagem de roupas e para servir como bebedouro para os animais. A água vem de uma nascente que fica a um quilômetro de distância e funciona até os dias de hoje. Na sua fachada barroca tem uma imagem de São José de Botas e um brasão da Coroa Portuguesa.

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Casa da Câmara, Tiradentes

A seguir, vá ao Museu de Sant’Ana. Que bela surpresa! Ele abriu suas portas há pouco tempo e ocupa a antiga Cadeia Pública. O acervo conta com 300 imagens espetaculares de Sant’Ana, a santa mãe da Virgem Maria, que protege os lares, as famílias e os mineradores. As peças são todas brasileiras, trazidas de várias partes do país por Angela Gutierrez, colecionadora e devota da santa. O museu é absolutamente imperdível! A entrada custa R$ 5 (inteira) e R$ 2,50 (meia). www.museudesantana.org.br.

Praticamente em frente ao museu fica a graciosa Capela de Nossa Senhora do Rosário, na rua Direita. Ela foi construída em 1708 e concluída em 1719, com mão de obra escrava. As imagens que compõe o altar são de cor negra, com exceção da imagem de Nossa Senhora do Rosário.

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Tiradentes

Ao sair da pequena igrejinha, ande sem pressa pela rua Direita que tem um belo conjunto arquitetônico e vá em direção a Matriz Santo Antônio. A igreja é uma preciosidade barroca e merece uma visita. É considerada a segunda mais rica em ouro do Brasil (a primeira fica em Salvador). Foi construída entre 1710 e 1752. Sua fachada atual é de 1810, com projeto do Aleijadinho. No interior, observe o belíssimo órgão de origem portuguesa com 630 tubos. No final do dia, o principal programa de Tiradentes fica na Matriz de Santo Antônio. No seu interior há um Show de Som e Luz onde é narrada a história da igreja na voz do ator Paulo Goulart, seguido por um Concerto Barroco no órgão. Informe-se sobre os horários pelo telefone 32 3355.1238. Vale a pena assistir. Quando tem casamento, os espetáculos são cancelados.

Fonte: Claudia Liechavicius – http://www.viajarpelomundo.com

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