Problema comum, arritmia cardíaca pode ser evitada

É importante saber quais os cuidados para prevenção e qual o tratamento adequado para a doença


Entre os problemas cardiovasculares mais comuns enfrentados pela população destacam-se as arritmias, doenças que provocam aceleração ou retardamento dos batimentos cardíacos e que podem ser prevenidas por meio da adoção de alguns hábitos simples no dia-a-dia.

O curioso é que o tipo mais comum de arritmia ainda é pouco conhecido pela população: trata-se da fibrilação atrial (FA), uma doença que leva os átrios do coração a contraírem de forma desordenada, prejudicando o bombeamento do fluxo de sangue para o restante do corpo.

Essa condição, que atinge sobretudo a população idosa, tem como principais sintomas as palpitações, que causam um forte mal-estar e a sensação de que o coração está disparando, além de tonturas e cansaço. Estes sintomas aparecem sobretudo em sua forma aguda, e o diagnóstico costuma ser feito em situações de emergência por um eletrocardiograma.

Foto: Fotolia
Alguns hábitos são muito benéficos para a saúde do coração e contribuem para a prevenção de doenças cardiovasculares

Por dificultar a circulação do sangue, a FA facilita a formação de coágulos dentro do coração que, ao transitarem pelo sistema circulatório, têm potencial de provocar consequências graves para os pacientes.

A consequência mais séria ocorre quando um coágulo migra para o cérebro por meio das artérias carótidas, bloqueando o fluxo de sangue para o órgão e provocando um acidente vascular cerebral (AVC) – mais conhecido como derrame cerebral, de tipo isquêmico. Este é o tipo mais comum de AVC, representando cerca de 85% dos casos, e pacientes com fibrilação atrial têm até cinco vezes mais chances de tê-lo em relação a pessoas com uma frequência cardíaca normal.

Alguns hábitos são muito benéficos para a saúde do coração e contribuem para a prevenção de doenças cardiovasculares. De acordo com José Rocha Faria Neto, professor titular de cardiologia na PUCPR, “é importante ressaltar que arritmias como a fibrilação atrial, apesar de comuns e de serem porta de entrada para problemas mais graves, estão bastante relacionadas a hábitos de longo prazo e podem ser prevenidas por meio de um estilo de vida saudável”.

TRATAMENTO

As arritmias também podem e devem ser tratadas. Esse tratamento inclui a prevenção da formação de coágulos por meio de medicamentos anticoagulantes. Rocha afirma que “além de adotar hábitos benéficos para a saúde cardiovascular, como a prática de exercícios e uma alimentação saudável, os pacientes com arritmia contam hoje com opções de tratamento com anticoagulantes que “afinam” o sangue e os ajudam a viver bem e ter maior segurança”.

Por conta do efeito dos medicamentos alguns cardiologistas têm receio de que os pacientes tenham problemas com sangramentos decorrentes de acidentes ou cirurgias de emergência, o que leva 50% dos pacientes com fibrilação atrial a não receberem o tratamento anticoagulante adequado.

“As últimas novidades em cardiologia prometem proteger o paciente contra esses riscos: a dabigatrana, por exemplo, indicada para fibrilação atrial, promove uma anticoagulação eficaz e previsível, reduzindo significativamente o risco de AVCs e trombose, e pode ter seu efeito revertido imediatamente em caso de sangramentos fortes pelo idarucizumabe, agente reversor que interrompe o efeito anticoagulante em minutos. O medicamento já foi aprovado no Brasil e deve ser lançado no mercado ainda este ano”, afirma o professor.

Cuidados que ajudam a prevenir arritmias

PRATICAR EXERCÍCIOS FÍSICOS
Eles trazem benefícios físicos, sociais e psicológicos, levando a uma melhora no humor e consequentemente ao fortalecimento do sistema imunológico. “Com isso, o paciente experimenta uma diminuição na ansiedade e no estresse, fatores que podem acelerar o ritmo cardíaco e contribuir para o surgimento de arritmias no longo prazo”, afirma o especialista.

ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL
Alimentar-se de forma equilibrada, ingerindo nutrientes variados em quantidades balanceadas, também é uma forma de prevenir arritmias. O excesso de gorduras leva ao aumento da pressão sanguínea e pode provocar uma série de complicações cardiovasculares.

DORMIR BEM
A apneia do sono, uma obstrução das vias respiratórias superiores durante o sono, está entre os fatores que favorecem a FA. Isso leva o paciente a fazer um esforço maior do que o normal para respirar, o que aumenta os batimentos cardíacos e, consequentemente, os riscos de arritmia. Perder peso, dormir de lado, evitar o fumo, o consumo de bebidas alcoólicas e comidas pesadas antes de dormir contribuem para a melhora da apneia. Elevar a cabeceira da cama também é um hábito benéfico.

BEBER COM MODERAÇÃO
O álcool é uma toxina que se difunde facilmente pelo corpo e, se consumido em excesso, prejudica a capacidade de contração do coração, provocando arritmias e outras disfunções cardiovasculares.

NÃO FUMAR
O tabagismo é fator de risco para arritmias como a fibrilação atrial], pois aumenta a liberação de substâncias como a adrenalina, que aceleram os batimentos cardíacos e podem provocar arritmias no médio-longo prazo.

Fonte: Boehringer Ingelheim

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