Perda de olfato pode apontar para Parkinson, diz pesquisa

Conviver com o Parkinson não é tarefa fácil e requer adaptação e muito apoio de amigos e familiares; testes podem ajudar a detectar a doença


Foto: Fotolia
Deve ser feito à base de medicamentos, com o intuito da redução da progressão de sintomas

Pesquisas realizadas em vários países mostraram que a perda do olfato, um problema que, muitas vezes, acaba passando despercebido por diversos pacientes, pode sinalizar a presença de uma doença muito pior: o Mal de Parkinson, enfermidade degenerativa, crônica e progressiva, que afeta todo o sistema nervoso central. Dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) mostram que 1% da população mundial com idade superior a 65 anos tem a doença de Parkinson. Só no Brasil, o Ministério da Saúde estima que cerca de 200 mil pessoas sofram com o problema. Sem cura, a doença causa tremores nas extremidades, instabilidade postural, rigidez de articulações e lentidão nos movimentos. É importante ficar atento aos primeiros sinais.

As primeiras informações sobre a descoberta foram divulgadas na revista Annals of Neurology. Segundo a publicação, o olfato de alguns pacientes que desenvolvem a doença diminuiu ou mesmo desapareceu anos antes. Foram mais de 2.200 homens acompanhados durante oito anos. “Geralmente, os pacientes demoram a procurar um médico especialista, principalmente por medo do diagnóstico, pois é uma doença crônica e evolutiva ou por falta de informação”, explicou a geriatra do Lar dos Velhinhos de Campinas, Manuela Nassim Jorge Santos.

A perda deste sentido pode ser um dos sinais iniciais, mas é relativo e pode mudar entre os pacientes. Em muitos casos, a doença pode iniciar entre 10 e 15 anos antes dos sintomas se evidenciarem.

De acordo com a especialista, o Parkinson é considerado um dos principais e mais comuns distúrbios nervosos da terceira idade, mas também pode afetar os mais jovens. “A doença prejudica a coordenação motora do paciente, provocando tremores, dificuldades de locomoção e fala”, disse. Para diagnosticar o problema, é preciso estar atento: quem apresenta tremores deve procurar ajuda médica. A constatação do problema é feita por exames neurológicos, como a ressonância magnética e a tomografia.

Conviver com o Parkinson não é tarefa fácil e requer adaptação e muito apoio de amigos e familiares. De acordo com a geriatra, o primeiro passo é aceitar a doença. “Os próximos são entrar em programas de reabilitação com fisioterapia, fonoaudiologia, terapeutas ocupacionais e psicólogos, para minimizar os danos que a evolução da doença pode causar, buscando evitar ou retardar a perda de suas funcionalidades e habilidades motoras”, acrescentou.

Caso a doença seja constatada, o tratamento deve ser feito à base de medicamentos, com o intuito da redução da progressão de sintomas. A escolha do medicamento mais adequado deverá levar em consideração fatores como estágio da doença, a sintomatologia presente, ocorrência de efeitos colaterais, idade do paciente, medicamentos em uso e seu custo.

A DOENÇA. A doença de Parkinson, descrita por James Parkinson, em 1817, é uma das doenças neurológicas mais comuns e tem distribuição universal, atingindo todos os grupos étnicos e classes socioeconômicas. Estima-se uma prevalência de 100 a 200 casos por 100.000 habitantes.

Ela é causada pela deterioração de neurônios dopaminérgicos da substância negra cerebral e também pelo comprometimento de outras regiões, como o núcleo dorsal do vago, sistema olfatório e alguns neurônios periféricos. Os fatores genéticos também devem ser considerados, principalmente em casos precoces (antes dos 50 anos), que no entanto são mais raros.

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