Estrabismo deve ser corrigido o quanto antes

Crianças de até 6 anos que possuem o estrabismo tem melhores resultados com exercícios de ortóptica e cirurgia


O estrabismo se caracteriza pelo desalinhamento dos olhos. Embora o “olhinho torto” seja considerado uma característica fofa em crianças pequenas, o problema deve ser resolvido o quanto antes, diz especialista. “Quanto mais tempo passar, menores serão as chances de bons resultados e maior será a perda na qualidade de visão da pessoa”, explica o técnico óptico responsável pela Ótica Exótica, Alexandre Maurício Kresner.

“Durante a infância, o cérebro está aprendendo a identificar as imagens que chegam dos olhos. Ao olhar para uma árvore, por exemplo, duas imagens são geradas, uma pelo olho esquerdo e outra pelo direito. A fusão dessas duas imagens acontece no quiasma óptico – localizado logo atrás dos olhos – resultando em uma única imagem”, detalha o técnico.

Foto: Fotolia
Na maioria dos casos, o estrabismo possui caráter hereditário irregular

Quando há estrabismo, uma das imagens geradas fica embaçada. Essa imagem é descartada pelo cérebro, que passa considerar apenas a mais nítida. Isso acontece de forma automática e natural. Porém, aquele olho que tem a imagem descartada deixa de receber estímulo do cérebro e tem suas funções atrofiadas, resultando na perda da qualidade de visão.

Na maioria dos casos, o estrabismo possui caráter hereditário irregular (podendo pular algumas gerações) e se manifesta ainda na infância. Porém, outras causas são atribuídas ao problema como hipermetropia; diabetes; doenças neurológicas, oculares, infecciosas ou da tireoide.

CORREÇÃO. Segundo Kresner, a correção do estrabismo deve ser realizada até os 6 anos de idade. Após esse período haverá perda de visão. “Se essa condição for corrigida ainda na infância é possível recuperar 100% da visão. Depois disso, a perda é de 50%, 60% e é irreversível”, explica.

Existem dois tipos de tratamento para estrabismo: os exercícios de ortóptica (uso de “tampão ocular”, exercícios de fixação, cores, etc.) são indicados para desvios abaixo de 15 prismas, acima desse índice é recomendada correção cirúrgica do olho.

A recuperação leva de sete a 10 dias. “Muitas vezes necessita dar um ponto no músculo para manter o olho na posição correta, mas a recuperação é muito rápida”, diz o técnico óptico. Os exercícios de ortóptica fazem parte do pós-operatório, com o intuito de estimular e recuperar a visão do olhinho torto. O resultado é 100% até os 6 anos.

O estrabismo, considerado “gracioso” na infância se torna um incomodo estético na fase adulta. “Muitos recorrem à cirurgia de correção e acabam com outro problema, a diplopia (visão dupla). Por isso a cirurgia não é recomenda para adultos”, diz o técnico óptico Alexandre Maurício Kresner.

A pessoa com diplopia enxerga tudo em dobro e, no caso de uma pessoa que foi estrábica, uma das visões surge embaçada. Ou seja, ela enxerga duas imagens sendo uma nítida e outra embaçada.

Os exercícios de ortóptica são sugeridos como forma de amenizar o problema, incluindo outros procedimentos mais específicos. Porém, a eficácia do tratamento está diretamente ligada à possibilidade de reversão da perda da visão. Permanecendo o quadro de diplopia, o cérebro tende a descartar a visão que está comprometida, fazendo com que um dos olhos deixe de funcionar e, consequentemente a perda da visão daquele olho.

Consultoria: Ótica Exótica

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