Depressão: quando a festa vira tristeza

Depressão de fim de ano é mais comum do que se pensa e exige atenção: pode ir embora com as comemorações ou virar doença


Dezembro é um mês de festas: primeiro o Natal e, na sequência, a virada do ano. Família reunida, mesa farta, fogos de artifício… Enquanto uns comemoram, outros preferem se recolher. A depressão de fim de ano é comum e pode se tornar frequente em pessoas que têm dificuldades em lidar com mudanças e certos acontecimentos da vida.

Várias são as situações que podem funcionar como gatilho estressor nesta época do ano: luto, frustrações, feridas psicológicas e insegurança quanto ao futuro. “É comum as pessoas avaliarem como foi o ano, como está a vida até agora e, muitas vezes, esbarram com metas que não conseguiram cumprir, com sonhos que não conseguiram realizar e se deprimem, se sentem mal consigo mesmas”, comenta a psicóloga Elaine Mobilon Kühl.

Foto: Creative Commons
A depressão de fim de ano é comum

O próprio clima familiar das festas pode resgatar lembranças negativas como o sofrimento e a solidão causados pela separação ou morte de alguém próximo. “E existem casos em que a pessoa vive tão distante da família, ou viveu alguma situação dentro de casa e não quer reencontrar aquelas pessoas, e aí ela se culpa por não querer estar com a família ou por estar sozinha nesta época do ano”, diz a psicóloga.

A tristeza de final de ano não pode ser ignorada e deve ser observada. Se ela aparece em períodos específicos – geralmente no final do ano, aniversários, etc – pode ser considerada depressão natural, desencadeada por uma ocasião específica e que desaparece assim que a “festa” termina. Mas se permanece, e transforma o dia a dia da pessoa, pode ser considerada depressão patológica e, nesse caso, a atenção deve ser dobrada.

Mudanças de humor, irritabilidade, ansiedade aflorada e falta de perspectiva são sintomas comuns. “E a intensidade com que cada um lida com alguns sentimentos varia de pessoa para pessoa”, comenta Elaine. Sentimentos de exclusão, inutilidade e culpa exagerados podem ser associados a ideias de suicídio ou morte.

Compulsão alimentar é outro sintoma frequente. Além do aumento de peso, favorece problemas cardíacos, renais, risco de diabetes e agravamento de doenças pré-existentes, além do vício, já que tal comportamento traz uma falsa tranquilidade e ameniza a dor.

Enquanto a depressão natural acaba assim que a festa termina, a depressão patológica exige acompanhamento profissional e, em alguns casos, medicação controlada. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) 15% da população mundial vive ou já viveu quadro de depressão, independente da idade. É a primeira causa de incapacitação entre todas as doenças médicas.

Para este fim de ano, valem algumas pequenas dicas para evitar momentos de melancolia. A primeira é focar nas conquistas ao longo do ano. “Pense em quantas pessoas conheceu este ano, nos bons momentos vividos, naquela viagem que tanto quis fazer e conseguiu, em tudo que conquistou por conta própria e seja grato àquelas que te ajudaram”, diz a psicóloga Elaine Mobilon Kühl. Exercícios físicos colocam o corpo em movimento e contribuem para elevar o ânimo.

Nada de traçar metas inalcançáveis. Reformule a lista de objetivos para 2018 e deixa-a mais “palpável”. Por exemplo, se emagrecer 10 quilos foi difícil, reduza a meta para dois ou quatro quilos. Prefira o emagrecer com saúde ao invés de partir para regimes mirabolantes que fazem perder cinco quilos em um mês e recuperá-los logo depois. Aposte em novos cursos e atualize o seu currículo se a intenção é mudar ou conseguir um novo emprego.

Aqueles que sentem a tristeza pesar no final de ano e sentem dificuldade para encontrar motivos que atribuam graça à vida, devem buscar ajuda médica o quanto antes. A depressão possui vários níveis e somente um profissional da área poderá identificá-la e indicar o tratamento mais adequado (se há necessidade de remédios ou não). Quanto mais cedo detectado o problema, mais rápido será o tratamento e alívio dos sintomas. A família e amigos devem ficar atentos às mudanças e dar apoio. “Banalizar a tristeza é o mesmo que abrir mão do bem estar, da alegria em favor do sofrimento, com garantias sérias de piora para a saúde”, conclui a psicóloga.

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