Condição que tem produção exagerada dos hormônios

Uma das consequências é o aumento do tamanho das mãos, pés, nariz, queixo, orelhas e maxilar


Estima-se que, anualmente, três a cada um milhão de habitantes sejam diagnosticados com acromegalia, uma condição rara causada pela superprodução do hormônio do crescimento (GH) pela glândula hipófise em indivíduos adultos – quando a superprodução do GH ocorre na infância, antes do fechamento da cartilagem de conjugação, a condição é classificada como gigantismo. Progressiva, a doença pode ocasionar mudanças na aparência física – crescimento de mãos e pés, alargamento da região frontal e da testa e espaçamento entre os dentes –, além de impactar o funcionamento de alguns órgãos, como pulmão, coração e sistema gastrointestinal.

De acordo com Mônica Gadelha, professora de Endocrinologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, a acromegalia leva entre 6 e 10 anos para ser diagnosticada: “A doença tem como característica o desenvolvimento lento e cada paciente tende a apresentar uma combinação diferente de sintomas, geralmente comuns a outras enfermidades, o que torna o diagnóstico tardio. Por isso a importância de se prestar atenção aos sinais próprios da acromegalia, como aumento da dimensão das mãos e dos pés, de nariz, queixo, orelhas e mandíbula; além de dor de cabeça, formigamento nas mãos e pés, diabetes ou problemas de visão”.

Foto: Freeimages.com
Superprodução do GH ocorre na infância, antes do fechamento da cartilagem de conjugação, a condição é classificada como gigantismo

A especialista reforça, também, que quanto antes o tratamento for iniciado – cirurgia para retirada do tumor, radioterapia e/ou medicação -, melhor o prognóstico. “Iniciar o tratamento adequado precocemente oferece mais chances ao paciente de amenizar os sintomas da doença. Quando já existem sequelas da produção excessiva de hormônios, é fundamental que o paciente aprenda a conviver com essas características físicas, fortalecendo sua autoestima”, completa.

POR ACASO. Fátima Almeida, 43 anos, descobriu, por acaso, que tem acromegalia. Em 2011, foi ao hospital acompanhar o namorado e uma médica notou os traços característicos da doença, pedindo exames que confirmaram o diagnóstico. Na época, ela já enfrentava bastante dificuldade ao comprar sapatos e não usava anéis por conta do aumento nas extremidades. “Eu sentia muito formigamento da mão. Muita dor. Minha aparência já estava bem diferente, até minha pele ficou muito grossa”.

A vendedora, que hoje trabalha normalmente, reforça a importância de se conversar sobre acromegalia e de superar os obstáculos: “É importante que as pessoas não tenham medo de falar da doença, porque assim você vai poder ajudar outras pessoas. Quando você compartilha, ajuda tanto você quanto os outros. Depois de todas essas dificuldades, acredito que aprendi o valor da vida. A agradecer todos os dias! O importante é isso: viver!”.

Natasha desenvolveu gigantismo ainda quando criança e, hoje – aos 25 anos – tem 2,08m de altura. Aos 9 ela já era a mais alta da turma e relembra ser muito difícil encontrar sapato e roupa que lhe servissem, problema que enfrenta até hoje. Morando na periferia de São Paulo e tendo que conviver com os desafios do sistema público de saúde, ela obteve o diagnóstico apenas com 19 anos. A jovem, que frequenta os encontros do Instituto Vidas Raras, relata a importância de ter contato com outros pacientes para enfrentar os impactos da doença na sua qualidade de vida e autoestima.

Estima-se que a incidência anual da doença seja em torno de três pessoas por milhão – por ser uma doença rara, pouco conhecida e que apresenta curso insidioso seu diagnóstico é bastante complexo e pode levar de 6 a 10 anos. A produção excessiva do hormônio de crescimento na vida adulta, quando as cartilagens já se encontram fechadas e inativas, causam aumento das mãos e dos pés; além de estar relacionada à projeção da mandíbula, alargamento do nariz e espaçamento exagerado dos dentes, aumento da língua, dores nas articulações, formigamentos nas mãos, cansaço excessivo, alterações na visão, diabetes, pressão alta, apneia do sono e aumento da tireoide.

Se a doença se manifestar na infância ou na adolescência, quando as placas de crescimento dos ossos ainda estão abertas, acontecerá o gigantismo. Estudos mostram que pacientes com acromegalia têm qualidade de vida significativamente mais baixa em comparação à população em geral ou a pacientes com outras condições crônicas, como artrite, doença pulmonar crônica e hipertensão, e qualidade de vida semelhante a pacientes com condições como câncer e Aids – o que reforça a importância de tratamentos que mantenham a doença sob controle e promovam qualidade de vida. Acromegalia é uma doença rara e acomete homens e mulheres indistintamente.

Fonte: www.novartis.com.br

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