‘Star Wars: Os Últimos Jedi’ leva a saga por caminhos jamais trilhados

Oitavo episódio da maior franquia do cinema deixa o passado de lado e passa o bastão para os novos personagens


Star Wars: Os Últimos Jedi, o oitavo episódio da saga criada por George Lucas em 1977, chegou aos cinemas de todo o mundo na semana passada, batendo recordes de bilheteria (arrecadou, só nos Estados Unidos, US$ 220 milhões de dólares em apenas três dias), trazendo antigos personagens de volta à tela e trazendo algumas (poucas) respostas à perguntas introduzidas em O Despertar da Força, lançado em 2015 e que apresentou toda uma nova leva de rostos, como Rey, Kylo Ren, Finn e Poe. O texto abaixo pode conter spoilers, então, tome cuidado.

O diretor e roteirista Rian Johnson preferiu seguir um caminho diferente de J.J. Abrams, que conduziu o Episódio VII: enquanto o filme anterior mostrava um abordagem mais nostálgica, tentando emular na tela o mesmo espírito da trilogia clássica (principalmente o de Uma Nova Esperança), Os Últimos Jedi segue uma vertente bastante diferente. Em alguns momentos, ele até lembra, estruturalmente falando, O Império Contra-Ataca, quinto filme da franquia na cronologia oficial, porém, ao final da projeção, fica claro que Johnson não se apoio muito no passado e apresentou algo totalmente novo, levando a saga para onde ela jamais esteve.

O enredo segue exatamente de onde O Despertar da Força terminou: após uma pequena vitória da Resistência, a Primeira Ordem prepara uma nova ofensiva. A General Leia Organa (Carrie Fisher, que morreu em 27 de dezembro de 2016) se vê encurralada pelo inimigo. Enquanto isso, Rey (Daisy Ridley) busca em Luke Skywalker (Mark Hamill) a força final para derrotar A Primeira Ordem. O jedi, no entanto, não parece muito interessado em ajudar. Enquanto isso, Poe Dameron (Oscar Isaac), Finn (John Boyega) e Rose Tico (Kelly Marie Tran) tentam um plano para atrasar os avanços do General Hux (Domhnall Gleeson) e Kylo Ren (Adam Driver).

Foto: Divulgação
Rey e Luke Skywalker no planeta Ahch-To

Rian Johnson subverte tudo o que foi mostrado até hoje na saga e joga com a dualidade dos personagens durante toda a jornada. Isso é mais sentido no trio principal (Rey, Kylo e Ren). Star Wars sempre foi uma aventura que definiu muito bem o que é o bem (os Jedi, os Rebeldes, etc…) e o mal (os Sith, o Império). Aqui, no entanto, o diretor mostra que ninguém é realmente bom ou mal em todo o tempo, nem mesmo herois ou vilões.

Kylo Ren, apesar de se manter fiel à Primeira Ordem, segue um tanto traumatizado após matar o pai, Han Solo (Harrison Ford). Rey, enquanto isso, vai deixando a inocência de lado conforme aprende mais sobre a Força e percebe que Luke se torno um homem isolado e um tanto egoísta. Enquanto isso, o próprio Luke  revela partes do seu passado e o que o levou a se isolar no planeta Ahch-To. A relação emocional de Rey e Kylo está muito mais forte e presente do que no filme anterior, e o diretor usa dessa ligação para jogar com o espectador, gerando conflitos entre ambos que parecem levar a caminhos inesperados.

Foto: Divulgação
Kylo Ren: vilão ganha ainda mais peso dramático

Não são apenas os três principais que ganham espaço em tela. O elenco de apoio tem toda uma aventura, quase em separado, para desenvolver. Finalmente Poe mostra porque é o melhor piloto da Resistência – e já aparece como um futuro líder. Finn, ao contrário, parece não se importar com a guerra e está preocupado apenas em ajudar Rey e tirá-la do fogo cruzado, enquanto Leia continua como a estrategista apresentada em O Despertar da Força. Do lado sombrio, no entanto, o desenvolvimento do Supremo Líder Snoke e até de Hux é deixado de lado. O foco é Kylo.

Tecnicamente falando, o filme é belíssimo. Desde as cenas de batalhas no espaço, incluindo o confronto no planeta Crait (rico em um mineral vermelho, mas coberto por sal), até as sequências de treinamento de Rey e batalhas de sabre de luz, a fotografia também brinca com a dualidade presente no roteiro. A trilha sonora, mais uma vez, é assinada por John Williams. O roteiro abre espaço para momentos de risos, mesmo em meio à tensão dos combates, como já é característico da série. Os dróides (principalmente BB-8) e personagens como Chewbacca e os Porgs servem como alívios cômicos sempre bem-vindos.

Foto: Divulgação
O ex-Stormtropper Finn ganha destaque na trama

Ok, nem tudo são flores em Os Últimos Jedi. O filme responde pouquíssimas perguntas introduzidas no filme anterior, simplesmente “se esquece” de premissas estabelecidas e não explica questões importantes de determinados personagens. Quem mais perde importância é o Supremo Líder Snoke. O personagem finalmente aparece em carne e osso, mas sua origem sequer é citada. Quem é, de onde veio, como é tão poderoso, como trouxe Kylo Ren para o Lado Sombrio… Nada disso é respondido. Isso faz que com o personagem perca peso dramático.

Os Cavaleiros de Ren, apresentados quase como uma força militar em O Despertar da Força, também não aparecem ou são explicados. Além disso, outros personagens do Lado Sombrio são menosprezados. A General Phasma é uma delas. Com um visual imponente, que impõe medo sempre que surge em cena, a personagem é renegada para poucas cenas e à um clímax fraco com Finn… A personagem (e os fãs) mereciam mais.

Independente dos erros, Os Últimos Jedi, no final, é um grande acerto dentro da saga Star Wars. Foge da nostalgia estabelecida em O Despertar da Força e aposta no futuro da saga. É uma passagem de bastão de personagens icônicos da franquia para rostos mais jovens, que podem levar a série por caminhos inimagináveis. Embora seja o filme “do meio” de um nova trilogia (o Episódio IX estreia em 2019), o filme de Rian Johnson deixa totalmente em aberto o que poderá acontecer no terceiro e último capítulo, que seja dirigido por J.J. Abrams. É um filme revigorante para a franquia. É o que a saga estava precisando.

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