Os animais ‘diferentões’ conquistam espaço no lar

Para algumas pessoas, ter só cachorro ou gato em casa é muito pouco: é preciso mais! Conversamos com quem cuida de bichos pra lá de exóticos


Vídeo: Os animais ‘diferentões’

Quando o assunto é animal de estimação, não há segredo: cães e gatos são os favoritos dos brasileiros. Uma pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em parceria com a Abinpet (Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação), mostrou que, no ano passado, a “população” de pets alcançou a marca de 52 milhões de cachorros e de 22 milhões de felinos nos lares do País.

Mesmo assim, para algumas pessoas, não basta ter algum desses bichinhos em casa: é preciso inovar. É o caso da representante comercial de Americana, Rayane Camilla da Silva, de 26 anos. Ela já tinha quatro cães quando comprou a Valentina. “Queria um animal novo”, lembra. Agora, a Valentina é uma das queridinhas da casa: tem sua própria caminha, sai para passear e ganha roupinhas costuradas pela própria Rayane. Ou seja, tem tudo que qualquer animal de estimação poderia querer. O detalhe é que Valentina é uma porca.

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“Quando saio na rua, é um acontecimento. Todo mundo para, quer tirar foto, ela é uma atração. A gente leva até em passeio de cachorro”, brincou a representante. Com três anos de idade, Valentina cresceu bem mais do que o esperado por Rayane e, agora, pesa cerca de 60kg. “A vendedora me disse que era uma espécie de micropig [uma raça de porco doméstico em que o tamanho pode variar de 38cm a 58cm]. Mas ela foi crescendo…”, relata.

Rayane não é a única nesse grupo de pessoas que preferem animais exóticos. O empresário Carlos Kozan, 48, por exemplo, sempre foi um apaixonado por aves. Quando teve a oportunidade de comprar a arara-canindé Lara, não pensou duas vezes. “Ela é muito carinhosa. Levanto de manhã para trabalhar e ela já faz uma festa”, comentou Kozan. A arara-canindé, ameaçada de extinção, pode viver até 50 anos e medir 80cm. O animal chama atenção pela beleza, com suas penas azuis e amarelas.

O LIBERAL encontrou pessoas que têm bichos pra lá de diferentes em casa e mostra um pouco da experiência que é cuidar de porcos, aves e até serpentes!

A dona da rua

Rayane Camilla da Silva, moradora de Americana, comprou Valentina em 2014. “Eu já tinha quatro cachorros, mas queria um animal novo. Comecei a pesquisar na internet e vi sobre o porco. Pensei ‘por que não?’. Mas eu pesquisei bem ‘por cima’. Achei um para vender e a vendedora disse que ficaria no máximo com 40kg. Quando chegou, começou a dar trabalho, a abrir geladeira, armário e ‘roubava’ as coisas”, conta.

Foto: João Carlos Nascimento / O Liberal
No Parque Novo Mundo, onde Rayane vive, Valentina já é famosa

“Tem que ter muito amor. Não é como um cachorro, você é que tem que se adaptar a ela, porque ela acorda cedo e quer comer. Além disso, tive que colocar um monte de portão no quintal porque ela dava cabeçada na porta. É um bicho bem territorialista e temperamental”, explica. Mas se engana quem pensa que o porco é um animal sujo. “Ela é superlimpa. A Valentina tem o lugar de fazer as necessidades ou faz na rua, quando vou passear. Ela é bem diferente daqueles criados em chiqueiro. Toma banho toda semana, passo hidratante, tenho um carinho todo especial”.

No Parque Novo Mundo, onde Rayane vive, Valentina já é famosa. “Quando saio na rua, é um acontecimento. Todo mundo para, quer tirar foto, ela é uma atração. A gente leva até em passeio de cachorro. Todo mundo já conhece”. Segundo a representante comercial, a porca se alimenta à base de verduras, legumes e ração e prefere ficar no seu próprio cantinho. “Se quiser carinho, ela vem até você”.

O xodó da casa

Lara, arara-canindé de apenas um ano de idade, chama a atenção: com suas penas coloridas, a simpática ave é a queridinha do empresário Carlos Kozan, 48. “Um amigo meu que também tem uma arara me indicou um criador que estava vendendo. Eu sempre gostei de aves, tenho papagaio, canários, e a Lara é um xodó especial. Ela é de uma espécie ameaçada de extinção, então a gente cuida com o maior carinho”, salienta.

Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal
Entre os cuidados especiais que a ave recebe, estão uma alimentação equilibrada e acompanhamento veterinário

Entre os cuidados especiais que a ave recebe, estão uma alimentação equilibrada e acompanhamento veterinário. “Ela come frutas a vontade, ração e, uma vez por semana, sementes de girassol. Ela tem todo um acompanhamento veterinário também, porque, como outras aves menores vêm comer a comida dela, eles podem trazer doenças, pulgas e até carrapatos”.

Embora tenha uma gaiola para chamar de sua, Lara gosta mesmo é de ficar no poleiro, na sala da casa, junto com o restante da família. “Ela é muito carinhosa. Levanto de manhã para trabalhar e ela já faz uma festa. Quando venho almoçar, mal encosto o carro na calçada ela já está gritando aqui no fundo. Então, ela fica sempre me esperando e já vem querendo carinho”, cita. Ameaçadas de extinção, as araras são uma companhia para vida toda, já que podem viver até 50 anos. “Quem quiser um animal desses precisa procurar um criador autorizado, porque a gente sabe que as araras são fruto de tráfico ilegal”, observa Kozan.

A parceira de profissão

Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal
Galassi recebe vários animais, trazidos pela Polícia Ambiental ou Corpo de Bombeiros, mas a jiboia é uma das companheiras mais antigas do biólogo

O biólogo Guilherme Guidolin Galassi, 40, já acumula muitos anos de profissão – vários deles dedicados, inclusive, a cuidar dos animais do Parque Ecológico “Cid Almeida Franco”, de Americana. A jiboia Alzira, de 15 anos, tem acompanhado o especialista por todo esse tempo. “Tenho um criadouro desde 2004 e estou com cerca de 35 serpentes, fora alguns invertebrados [como aranhas e escorpiões]. A Alzira eu ganhei de presente de um lojista de aquário de Rio Claro. Uso muito ela para a parte de educação ambiental”, disse.

Galassi recebe vários animais, trazidos pela Polícia Ambiental ou Corpo de Bombeiros, mas a jiboia é uma das companheiras mais antigas do biólogo. “Ela veio bem jovem para mim, com cerca de 50cm. Gosto muito desses animais, e quando algum deles morre, fico bem triste. Mas eles também são material de estudo para mim, até devido a minha profissão. Além do mais, você não vai passear na rua com uma jiboia”, brinca.

Para o biólogo, o mais importante é o respeito pelo animal. “Gosto dela, mas sempre com respeito que todo animal peçonhento merece, até porque é um animal selvagem”. Cuidar de uma serpente, segundo ele, não dá muito trabalho. “Ela come a cada 15 dias, então fazer a manutenção, limpeza e alimentação é bem tranquilo. Quem quiser ter uma jiboia, tem que seguir alguns requisitos. No estado de SP, a venda está proibida, mas nos demais estados está liberada. Porém, algumas subespécies podem ser adquiridas”, revela Galassi.