Por resultado melhor, brasileiros dizem que precisam priorizar São Silvestre

Os atletas brasileiros mais bem colocados na São Silvestre deste ano, marcada novamente pela hegemonia dos africanos, acham que os…


Os atletas brasileiros mais bem colocados na São Silvestre deste ano, marcada novamente pela hegemonia dos africanos, acham que os corredores precisam colocar o evento como prioridade na temporada para que o País volte a figurar no pódio. Desde 2011, o Brasil não ficava fora da cinco primeiras colocações, seja no masculino ou no feminino.

Desta vez, a São Silvestre contou com Joziane Cardoso na décima posição e Ederson Vilela Pereira na 11ª colocação. As vitórias foram do etíope Dawit Admasu no masculino, enquanto no feminino quem ganhou foi a queniana Flomena Cheyech. “O Brasil tem atletas fortes. Na Etiópia temos altitude de 3 mil metros, que faz a diferença nos treinamentos”, comentou Admasu.

O fiasco nacional foi o maior dos últimos anos na prova, mas os atletas brasileiros que chegaram bem encontraram motivos para comemorar. “Estou feliz pela décima colocação e por ter sido a primeira brasileira. Estou conseguindo chegar ao pódio nas principais competições nacionais e foi muito bom fechar a São Silvestre desta forma. Espero que na próxima edição consiga chegar entre as cinco mais bem colocadas”, explicou Joziane.

Ela reconhece a superioridade das rivais, mas acha que é possível se aproximar das atletas africanas. “Elas são top, mas não é impossível para gente. Quero ir treinar na altitude porque isso ajuda muito. Elas são ótimas e treinam só para a São Silvestre. Nós chegamos com uma carga grande de competição. Precisamos priorizar mais e fazer trabalho de altitude para quebrar essa hegemonia”, continuou.

Na prova, Flomena Cheyech foi se desgarrando e no oitavo quilômetro já tinha uma enorme vantagem na liderança. Ela diminuiu um pouco o ritmo, mas começou a subida da avenida Brigadeiro Luiz Antônio com uma vantagem enorme sobre a segunda colocada. Ao final, não teve trabalho para vencer a prova com o tempo de 50min18, à frente das etíopes Sintayehu Kailemichael e Birhane Adugna.

No masculino, o grupo se manteve unido, até que o queniano Edwin Kipsang Rotich foi calçado pelo brasileiro Wellington Bezerra e acabou caindo. “Eu machuquei o joelho”, disse, mancando um pouco. “Tinha muita gente atrás, não sei o que aconteceu, pois foi muito rápido. Foi uma experiência ruim para mim, mas consegui cruzar a linha. Sabia que não poderia desistir”, explicou o queniano, que foi terceiro colocado.

A vitória foi de Dawit Admasu, que pouco depois da queda de Rotich assumiu a liderança e manteve passadas firmes para cruzar a linha de chegada com o tempo de 44min15, seguido por seu compatriota Belay Bezabh. “Treinei forte para essa prova e me saí bem”, comentou o etíope, que já tinha vencido a prova em 2014.

Para Ederson Vilela Pereira, melhor brasileiro no masculino, a corrida serviu de aprendizado. “Eu corri com o Admasu na França, o nível dele é bem forte, fui bem com ele lá, mas no final de ano a gente chega desgastado, pois precisamos correr mais provas para fazer um pé de meia. Temos de sentar e ver onde estamos errando. Estou feliz com meu resultado, mas falta muito ainda. Precisamos nos preparar melhor, na próxima edição não podemos dar a mesma desculpa”, avisou.

Animado, ele tenta olhar para seu desempenho com otimismo. “Para mim, foi uma prova na qual dei um passo a mais. Ano passado fui o segundo melhor brasileiro, na sétima colocação, e desta vez fui o melhor. Foi uma prova forte, fui mais conservador no início, e o resultado foi bom, pois serviu de aprendizado”, comentou, já pensando na próxima edição. “Temos de repensar e ver onde estamos errando para colocar algum brasileiro no meio dos africanos.”

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