COI suspende Fredericks, suspeito de corrupção para eleger Rio como sede olímpica

O Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou nesta terça-feira a suspensão de Frankie Fredericks como seu membro, cinco dias depois de…


O Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou nesta terça-feira a suspensão de Frankie Fredericks como seu membro, cinco dias depois de o ex-atleta ter sido interrogado em um tribunal de Paris, na França, sob acusação de corrupção durante o processo que elegeu o Rio de Janeiro a sede da Olimpíada de 2016.

Ele está na mira da Justiça por ter recebido US$ 299,3 mil (cerca de R$ 976,6 mil) em 2 de outubro de 2009, mesmo dia em que o COI anunciou em Copenhague, na Dinamarca, que os Jogos Olímpicos ocorreriam na cidade brasileira.

Dono de quatro medalhas olímpicas de prata pela Namíbia no atletismo, sendo duas em Barcelona-1992 e duas em Atlanta-1996, o ex-velocista era o responsável pelo processo de apuração dos votos para o COI e presidia a comissão de avaliação dos Jogos de 2024, que serão realizados em Paris.

Após a revelação do seu envolvimento no escândalo, Fredericks pediu demissão de seu cargo de conselheiro da Associação das Federações Internacionais de Atletismo (IAAF, na sigla em inglês) em março. Na ocasião, ele optou por deixar a entidade após jornal francês Le Monde revelar que o Ministério Público Financeiro de Paris possuía indícios sobre o recebimento de propina pelo dirigente, em meio à votação que resultou na escolha da capital carioca como sede olímpica.

E agora o COI também optou pela punição ao ex-atleta. “Considerando a gravidade e a urgência da situação e seu impacto na reputação do COI, o Comitê Executivo do COI decidiu suspender o senhor Frank Fredericks de todos os seus direitos, prerrogativas e funções decorrentes de sua qualidade como um membro do COI”, informou a máxima entidade olímpica, por meio de um comunicado oficial divulgado nesta terça.

Segundo o MP Financeiro de Paris, o depósito na conta de Fredericks foi feito pela Pamodzi Consulting, uma das empresas de Papa Massata Diack, filho de Lamine Diack, então presidente da IAAF e membro do COI. Papa Diack, por sua vez, recebeu, três dias antes das votações que elegeram o Rio, um total de US$ 2 milhões (cerca de R$ 6,3 milhões) em pelo menos dois depósitos, um de US$ 1,5 milhão e outro de US$ 500 mil, do empresário brasileiro Arthur Cesar de Menezes Soares Filho, por intermédio de uma de suas empresas com sede em Miami, a Matlock Capital Group.

Na última sexta-feira, um dia após ser interrogado em Paris, promotores franceses anunciaram acusações preliminares contra Fredericks de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Campeão mundial da prova dos 200m em 1993, o ex-velocista negou envolvimento nos crimes e disse que recebeu a quantia por “serviços prestados” ao COI entre 2007 e 2011. Disse que o seu contrato com a entidade foi firmado em 11 de março de 2007 e que o pagamento “nada tem a ver com os Jogos Olímpicos”.

No entanto, o que chamou a atenção dos investigadores franceses é que o pagamento foi feito pela empresa de Papa Massata Diack, filho de Lamine Diack. Ambos são acusados de participação no esquema de compra de votos que teria como protagonistas Carlos Arthur Nuzman, ex-presidente do Comitê Olímpico do Brasil, preso recentemente sob acusação de corrupção, e Sergio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro, que está na prisão por envolvimento em outros escândalos de corrupção.

Nuzman foi preso no último dia 5 de outubro no curso da Operação Unfair Play, deflagrada pela Polícia Federal, que investiga justamente o suposto esquema de compra de votos para o Rio ter conseguido ser eleito a sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

Após as acusações que pesavam contra Fredericks, a Comissão de Ética do COI começou a investigar o ex-velocista e examinou os últimos detalhes sobre o assunto na última segunda-feira. E a máxima entidade olímpica revelou que o ex-atleta optou por não comentar ou rebater as acusações feitas contra ele agora.

Depois deste posicionamento, a Comissão de Ética do COI, presidida há pouco tempo pelo ex-secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, afirmou que tomou a decisão de suspender os direitos de Fredericks como membro da entidade com base no “valor dos fatos” deste caso.

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