Sem marcar há dois meses, Fred é um centroavante angustiado pela volta dos gols

Qual é a angústia que dói mais? A do goleiro na hora em que ele leva um gol ou a…


Qual é a angústia que dói mais? A do goleiro na hora em que ele leva um gol ou a do artilheiro que não consegue marcar? O atacante Fred, do Atlético Mineiro, pode ajudar na resposta. Parece óbvia até. O jogador marcou pela última vez no dia 16 de julho, quando a sua equipe venceu o Atlético Goianiense por 2 a 1, pelo Campeonato Brasileiro. De lá para cá, já são sete jogos em que ele entrou em campo e não balançou as redes.

O Atlético Mineiro está em 11.º lugar no Brasileirão, com 30 pontos. A cobrança e a pressão da torcida em cima do experiente atacante ficaram mais forte depois do último sábado. Em jogo contra o Palmeiras, no estádio Independência, em Belo Horizonte, Fred perdeu um pênalti que poderia ter dado a vitória ao seu clube – o jogo terminou empatado por 1 a 1.

Quatro dias depois, após treino da equipe na Cidade do Galo, em Vespasiano (região metropolitana de Belo Horizonte), o jogador demonstrava certo abatimento durante o trabalho. Em entrevista, fez uma análise humilde sobre sua fase. “A bola está chegando. Mas está faltando ela entrar. Vamos ajeitar isso”, disse o jogador, que se recusa a entregar os pontos. Fred tenta melhorar o seu desempenho com dedicação nos treinamentos. A reportagem acompanhou um deles nesta semana em chutes de fora da área e cabeçadas após cruzamentos.

Apesar do momento não ser bom, Fred deverá começar como titular no jogo contra o Avaí, neste domingo, em Florianópolis. Para ele, tudo será resolvido quando fizer o seu próximo gol, acabando com incômodo jejum. “Tudo caminha para, quando sair o primeiro gol, as coisas voltarem ao normal”, afirmou.

CRÍTICAS – O atacante reconheceu não ser a primeira vez que atravessa fase ruim – uma delas foi na Copa do Mundo de 2014, quando foi criticado pela torcida brasileira pelo seu desempenho fraco. É bem verdade que a bola quase não chegava ao atacante de Felipão. “Eu já enfrentei momentos como esse. O mais legal é que, no fim, valeu a pena”, avaliou.

No ano passado, Fred também amargou um período de secura. “Por isso é que sou persistente nos treinos, confiante, ciente também de que tem de melhorar a cada rodada”, acrescentou. Há três anos, quando atuava pelo Fluminense, viveu momento parecido: ficou 10 jogos sem marcar. Após a Copa do Mundo, se recuperou no mesmo clube carioca antes de ser ovacionado em seu retorno a Minas Gerais.

Ele sabe que tem companheiro de olho em sua vaga. Clayton deixou claro que vai trabalhar para se firmar no time, mesmo que seja no lugar de Fred. “Temos de ter respeito pelo momento dele, mas vou brigar pelo meu espaço”.

Mesmo de mal com o gol, Fred é o artilheiro do Atlético Mineiro nesta temporada, com 23 gols. Se a história é treinar, então ele não tem motivos para reclamar. Durante a semana, o técnico Rogério Micale trabalhou exaustivamente a movimentação do seu atacante.

Ele comentou sobre a expectativa em relação ao time para o restante do ano e não citou a possibilidade de troca de titulares. Ou seja, Fred tem crédito. “Sempre dando ênfase ao momento porque futebol é momento, estamos procurando ter uma base, é importante para gerar entrosamento. Quanto mais jogarem juntos, melhor consistência eles terão. Será bom para a equipe”. Assim, o Atlético Mineiro apostará novamente em seu melhor atacante.

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