Para Paulo Nobre, Palmeiras tem um futuro promissor como o novo presidente

Paulo Nobre começou a sua mudança. Depois de quatro anos de presença quase diária na Academia de Futebol, ele deixará…


Paulo Nobre começou a sua mudança. Depois de quatro anos de presença quase diária na Academia de Futebol, ele deixará a presidência do Palmeiras nas mãos de Maurício Galiotte, que assume o cargo no dia 15 de dezembro após ter sido eleito pelos sócios do clube no último sábado. Mas, antes de partir, o presidente campeão brasileiro afirmou ao jornal O Estado de S.Paulo que vai ajudar Galiotte, um dos seus vices, no que ele precisar.

Na última sexta-feira, antes da partida contra a Chapecoense, Nobre recebeu a reportagem em sua sala, na Academia de Futebol, para uma entrevista exclusiva em que fez um balanço de seus quatro anos no poder. Uma de suas decisões mais polêmicas foi emprestar cerca de R$ 200 milhões para o clube conseguir pagar as suas contas. O dirigente admite que mesmo fora, pode repetir o ato.

“Não é um objetivo, como não era quando coloquei dinheiro no clube e não me orgulho de ter feito. Não tinha outra solução, mas se o Maurício precisar, não vou abandoná-lo. Acredito que ele não vá precisar, mas não vou deixá-lo de apoiar”, disse o atual mandatário alviverde.

Nobre deixa o Palmeiras pela porta da frente. Com as finanças equilibradas, um time forte e campeão brasileiro, título que encerrou 22 anos de jejum. Ele acredita que o novo presidente terá uma situação mais confortável para trabalhar. “O Maurício pegará o palmeirense com a autoestima lá em cima. Como é gostoso chegar ao trabalho e não ser gozado pelos amigos ou o filho não sofrer bullying na escola por torcer pelo mesmo time que o pai”, comparou.

O presidente palmeirense nega deixar o clube com o sentimento de dever cumprido. Exigente, afirma que sempre acha que pode melhorar, mas diz que fez muito pelo clube. “A gente pegou o Palmeiras na UTI, sobrevivendo por aparelhos, e hoje ele saiu do hospital”, comparou. Nobre ainda destaca um fator que, para ele, atrapalha muito o clube. Sem citar nomes, revela esta ser sua única lamentação. “É algo que não dá para ser tratado. Ele precisa ser expurgado. Eu comecei a tratar, mas precisam ser feitas mais coisas para acabá-lo definitivamente”.

A certeza de Nobre de que o Palmeiras vai se manter no topo do futebol brasileiro é proporcional à confiança do presidente em seu sucessor, que conseguiu a proeza de ser candidato único na eleição de sábado, algo raro. Um dos pontos fortes do novo mandatário é a capacidade em transitar bem em todas os subgrupos do clube, seja da situação ou da oposição, e ter bom relacionamento com os torcedores, associados, parceiros e patrocinadores, ao contrário do presidente, que colecionou desavenças com a WTorre, Crefisa, dirigentes de outros clubes e a principal torcida organizada da equipe.

Nobre admite ter personalidade forte e vê seu sucessor com uma postura diferente. “Quem não gosta de mim, diz que sou ditador. Quem gosta, diz que sou firme. No momento que atravessávamos, eu não conseguiria fazer diferente. Avisei o Galiotte para que ele não se decepcione se as pessoas que gostam dele ficarem bravas assim que ele falar o primeiro ‘não’. Mas, é verdade. Eu não sou um cara político. Ele é mais do que eu”.

Um de seus últimos atos como presidente foi apoiar a decisão de fechar a rua Palestra Itália, algo que, segundo ele, visa a segurança dos torcedores. “Sou a favor de tudo que venha coibir a violência, pirataria e venda ilegal de mercadorias. Dou os parabéns para quem tomou essa medida e que essa decisão ajude aos torcedores de bem”, opinou o dirigente.