Narradores da região lamentam morte de colegas jornalistas

Jota Júnior e Oswaldo Bachin Júnior conheciam algumas das vítimas e lamentaram a tragédia que matou 71 pessoas nesta terça-feira


Nem só o mundo do futebol está de luto pela queda do avião da Chapecoense, mas também o do jornalismo esportivo. Entre as 71 vítimas fatais do desastre, 21 eram profissionais da imprensa. Além deles, Rafael Henzel Valmorbida, narrador da rádio Oeste Capital, de Chapecó (SC), também estava no voo, mas sobreviveu. O radialista, de 43 anos, foi encaminhado a um dos hospitais da região e a sua situação é considerada estável.

A lista de mortos inclui profissionais do canal de TV por assinatura Fox Sports, rádios e jornais catarinenses, Rede Globo e RBS (afiliada da Globo no Sul). Só o canal Fox Sports, que transmitia os jogos da Copa Sul-Americana, perdeu seis profissionais, entre eles, o narrador Deva Pascovicci, os comentaristas Mário Sérgio (ex-jogador e técnico de futebol) e Paulo Júlio Clement e o experiente repórter Victorino Chermont.

Os narradores dos canais SporTV Jota Júnior, de Americana, e Oswaldo Bachin Júnior, de Santa Bárbara d’Oeste, conheciam algumas das vítimas e lamentaram o acidente. “Hoje é um dia que eu gostaria que não tivesse existido. Quando eu ouvi as primeiras informações sobre a queda do avião da Chapecoense, logo deduzi que também haveriam jornalistas, e comecei a ficar muito preocupado”, disse Jota. “Não demorou muito para que eu soubesse, lamentavelmente, que estavam lá o Deva, o Mário Sérgio, o Clement, o Victorino e o Ari de Araújo Júnior. Trabalhei com todos eles na Band e no SporTV. Foi um golpe muito duro”, emendou.

Já Bachin Júnior trabalhou em transmissões com duas das vítimas: o comentarista Paulo Júlio Clement e o repórter Giovane Klein Victória, que era de Chapecó, onde trabalhava na cobertura diária da Chapecoense pela RBS. “Fui pego de surpresa logo pela manhã quando vi às 6 horas algumas informações desencontradas sobre a queda do avião. Foi um espanto. Tenho 35 anos de carreira e confesso que nenhuma notícia me impactou tanto quanto essa, por conta de vitimar a equipe da Chapecoense e também os profissionais de imprensa que estavam acompanhando a delegação”, afirmou o narrador, que sente na pele o drama vivido pelos passageiros do voo fretado da equipe catarinense. “Passamos grande parte dos nossos dias longe da família, em hotéis, em translados de um lugar para outro. Nossos companheiros só estavam cumprindo as suas pautas”, lamentou.

A Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV) e a ANJ (Associação Nacional de Jornalistas) informaram que não possuem registros de número tão elevado de mortes de jornalistas em coberturas esportivas como este.

Confira, ainda, a homenagem prestada pelos jornalistas da Rede Globo durante o encerramento do Jornal Nacional desta terça-feira:

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