Campeão mundial com o Grêmio, barbarense crê em nova façanha

Ex-camisa 8 do tricolor gaúcho contribuiu com as primeiras conquistas de Libertadores e Mundial do clube, em 1983


Foto: Marcelo Rocha - O Liberal
Relação com o Grêmio transformou Osvaldo também em torcedor; ele posa com o pôster do LIBERAL

Quem passa pela oficina mecânica na rua Angelo Sartori, uma rua sem saída, na região central de Santa Bárbara d’Oeste, sequer desconfia que o responsável pela venda de peças automotivas do estabelecimento já viveu um dia uma glória como a que Luan, Fernandinho, Marcelo Grohe e companhia estão desfrutando. Assim como os heróis do tri da Libertadores do Grêmio, o barbarense Osvaldo Vital, 58 anos, soube bem antes deles como é a sensação de conquistar a América.

Ele era o camisa 8 do tricolor gaúcho em 1983, quando conquistou os primeiros títulos de Libertadores e Mundial do clube. As duas taças erguidas naquele ano, aliás, estão eternizadas em sua pele, numa tatuagem nas costas. Apesar de viver num quase anonimato nos dias de hoje, o ex-meio-campista é reconhecido como um dos maiores artilheiros da história do Grêmio, com 106 gols em quatro anos. Na Libertadores daquele ano, foi o goleador máximo da equipe, com seis gols. Até por isso, sua identificação com a equipe o transformou de ídolo a torcedor.

“Fiquei muito nervoso e ansioso com essa final. A emoção estava na flor da pele mesmo, com a esperança de ganhar esse título novamente. Assisti ao primeiro jogo e fiquei preocupado, pois sabia que na Argentina seria difícil”, comentou, lembrando de um jogo épico em 1983 contra o Estudiantes, quando o Grêmio empatou por 3 a 3 na chamada ‘Batalha de La Plata’ e garantiu sua vaga para a final. “Fiquei surpreso com a postura do Grêmio contra o Lanús. O time foi com tudo, marcou muito bem, teve posse de bola e calou logo a torcida deles”, comparou.

Foto: Marcelo Rocha - O Liberal
Conquistas mais importantes da carreira estão gravadas na pele de Osvaldo, que marcou 106 gols com a camisa gremista

AMIZADE. Naquele ano, Osvaldo Vital jogava ao lado de Renato Gaúcho, atual treinador do Grêmio. Para o barbarense, seu colega de time já merece uma estátua pelos feitos conquistados como jogador e técnico. “Fiquei contente pelo Renato. Quem não conhece ele fala que ele é arrogante, mas não tem nada a ver, é um cara super humilde, que ajuda todos os irmãos. A primeira profissão dele foi padeiro, mas se dedicou muito no futebol e é merecedor desses títulos. E acho que já merece a estátua na frente do estádio como ele brinca que queria ter”, disse.

Desde que parou de jogar, Osvaldo Vital nunca mais se envolveu com o futebol, mas não descarta a possibilidade. “Já pensei em exercer uma função de auxiliar técnico ou mexer com categorias de base, mas por enquanto estou só com as auto-peças mesmo, esperando, quem sabe um dia ou outro possa pintar uma oportunidade”, contou o ex-jogador, que, ao receber a reportagem do LIBERAL em sua casa, na tarde de ontem, fez questão de mostrar os quadros com fotos, camisa e faixas de campeão nos tempos em que vestiu a camisa azul, preta e branca.

Foto: Marcelo Rocha - O Liberal
“Fiquei contente pelo Renato. Quem não conhece ele fala que ele é arrogante, mas não tem nada
a ver”

Na expectativa para o Mundial, o barbarense já projeta um possível encontro com o Real Madri na decisão. E, no que depender do palpite dele, os milhões de gremistas espalhados pelo Brasil já podem se animar: “São campeonatos diferentes, mas o Grêmio está num momento muito bom. Se for com esses mesmos jogadores, sem perder ninguém até lá, e apresentar um futebol como nesse segundo jogo contra o Lanús, acredito que tenha condições de vencer o Real e ficar com esse título”.

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