Alegria marcou preparação da Chapecoense para decisão histórica na Colômbia

O relógio marcava pouco mais de 20 horas do último domingo, uma hora e meia depois de o árbitro gaúcho…


O relógio marcava pouco mais de 20 horas do último domingo, uma hora e meia depois de o árbitro gaúcho Anderson Daronco apitar o final da partida entre Palmeiras e Chapecoense no estádio Allianz Parque, em São Paulo. Um demorado abraço entre os presidentes dos dois clubes, Paulo Nobre e Sandro Pallaoro, dava o tom do encontro entre os dois “Verdões”.

Após a festa palmeirense pela conquista do Campeonato Brasileiro, os jogadores da equipe catarinense retornaram para o gramado, comandados pelo preparador físico Anderson Paixão. Era a hora de começar a preparação para o primeiro dos dois jogos mais importantes da história do clube: a decisão da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional, de Medellín.

Na arena palmeirense, com a maior parte dos refletores apagados, titulares e reservas deram algumas voltas em torno do gramado. Foi uma corrida leve, um trote que tinha de se desviar dos papéis picados que tomavam conta do gramado por causa da celebração. Com as meias arriadas, os jogadores também eram obrigados a “driblar” os funcionários que desmontavam o palco do título. Conversavam entre si em tom de descontração e riam. Pareciam felizes.

Parte da emocionada torcida ainda estava nas arquibancadas. De quem estava lá para torcer pelo Palmeiras, a maioria gritava “Força, Chapê” e “Vamos Chapê”, que era retribuído com um sinal positivo e um sorriso no rosto. Um ou outro tentava brincar com os atletas, mas eles não se importavam. A cabeça já estava na Colômbia.

Aos poucos, a delegação de Santa Catarina se dirigiu ao ônibus da equipe que os levaria ao hotel na zona sul de São Paulo. Na saída, pela avenida Francisco Matarazzo, mais uma surpresa. Centenas de torcedores que comemoravam a taça na via reconheceram os jogadores e passaram a aplaudi-los. O Verde e Branco palmeirense se tornava por um pouquinho o Verde e Branco da Chape. O elenco retribuiu o carinho dos campeões com acenos e aplausos de dentro do ônibus.

Naquela noite, o técnico Caio Júnior participou de um programa na ESPN Brasil. Entre as revelações, feitas em tom descontraído, disse que havia conversado com o elenco na saída do estádio sobre o título do Palmeiras e a festa da torcida. Ele queria que esse sentimento fosse vivido pela Chapecoense. No planejamento, uma noite de descanso e o dia seguinte seria de uma longa viagem.

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Nesta segunda-feira, os jogadores da Chapecoense puderam dormir até um pouco mais tarde, mas quase todos aproveitaram o café da manhã. O time deixou o hotel por volta das 12 horas e seguiu até o aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (SP), onde embarcaram para Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Às 14 horas, no Facebook da Chapecoense, um vídeo ao vivo. Nele, jogadores, funcionários e dirigentes estavam descontraídos e aguardam o embarque da delegação. No avião, muitos postaram imagens em suas redes sociais, mostrando o orgulho de representar o Brasil em uma decisão tão importante.

Já em solo boliviano, mais uma vez atletas e dirigentes usaram a internet para se comunicarem. Ao seu assessor, Caio Júnior mandou áudio por WhatsApp dizendo que só “restavam quatro horas para o desembarque em Medellín”. No começo da madrugada desta terça-feira, o avião que levava a Chapecoense sofreu o acidente.