Pelo 10º ano consecutivo, Record Store Day ocorre neste sábado

DJs da região falam sobre a valorização da discotecagem à “moda antiga”, com discos de vinil nas pick ups


O Record Store Day ocorre pelo décimo ano consecutivo neste sábado, dia 22 de abril. A data foi criada nos Estados Unidos para celebrar todas as lojas de discos independentes que continuam em atividade pelo mundo, e também como um tributo aos fãs dos “bolachões”. O hábito de consumir música nesta mídia, algo que anos atrás era chamado de “tendência”, já é realidade entre os ouvintes. E os discos também voltaram a ocupar não só as prateleiras das casas, mas também as “pick ups” dos DJs. O LIBERAL conversou com quem pessoas que valorizam a discotecagem à moda antiga.

O novaodessense Viny Blanco trabalha profissionalmente há 24 anos, e começou a carreira com os bolachões. “Não foi por escolha, e sim porque era a opção que eu tinha na época. Comecei trabalhando para uma equipe de um profissional de sonorização e colecionador, que tem um acervo de aproximadamente 10 mil discos”, lembra. Ao longo da carreira, ele também passou a tocar em outros formatos.

“Fui para o CD original com track, CD com mp3, não cheguei a trabalhar com pen drive… Voltei hoje ao vinil porque é uma mídia que eu tenho muito carinho, que sempre gostei muito e acho que ela cria um diferencial de mercado”, justifica.

Foto: Juarez Godoy / Divulgação
O novaodessense Viny Blanco trabalha profissionalmente há 24 anos, e começou a carreira com os bolachões

Para ele, o ponto positivo da discotecagem em vinil não é só a qualidade sonora, mas também o diferencial neste cenário. “É raro você ver hoje no mercado alguém discotecando com discos de vinil originais. Outro lado bom para mim é a satisfação de tocar. Muitos DJs falam da qualidade, eu acho que isso não é um ponto a ser levantado porque qualidades boas e ruins de materiais existem em todas as mídias, nas digitais e nas analógicas”.

Porém, também existem pontos positivos neste estilo de discotecagem. “O equipamento é bastante volumoso e pesado, requer um transporte um pouco mais cuidadoso. O desgaste do equipamento também é muito grande. E é um formato muito caro, precisa comprar agulhas, discos, toca-discos, que desgastam e não são baratos de repor”, observa.

Festival
Viny participará na próxima semana do JucaJazz Festival, evento que ocorre em sua primeira edição entre os dias 24 e 30 de abril em Americana. Ele participa da programação no domingo, quando será celebrado o Dia Internacional do Jazz. A partir do meio dia, ele toca em frente ao Teatro Municipal Lulu Benencase, com entrada gratuita. O evento também conta com a participação de Mauricio Scaramal.

Projeto reúne fãs dos ‘bolachões’
Amantes da música e do vinil, os americanenses Christian Euzébio, Mauricio Scaramal e Daniel Cucatti lançaram nesta semana o projeto “Tocadores de Discos – Rock de Quinta no GNU”. A ação será realizada às quintas-feiras, a partir das 19h, com entrada gratuita, no Espaço GNU, em Americana. As edições alternam-se entre as discotecagens de Mauricio Scaramal e Daniel Cucatti, que mantém seus repertórios baseados nas diversas vertentes do rock’n’roll.

“O nome ‘Rock de Quinta’ é para tirar ‘uma onda’, pois vamos tocar muito ‘lado B’”, adianta Daniel Cucatti. “O repertório vai passar pelas décadas de 1960, 1970, 1980 e 1990, e em vários estilos de rock, como clássico, punk, fusion, grunge, metal, rockfunk, entre outros”, completa Scaramal. Christian Euzebio, músico profissional proprietário do Espaço GNU, lembra que no passado deixava sua discoteca disponível para os clientes colocarem os discos de suas preferências na vitrola. “Mas com o passar do tempo algumas pessoas sem entender, ou mal-intencionadas mesmo, acabavam estragando essas ‘pérolas’, riscando e até mesmo quebrando alguns discos. Perdi algumas relíquias da minha coleção”, lamenta.

O “Tocadores de Discos” visa profissionalizar esta ideia inicial da casa. “Passamos a planejar noites de audições com os amigos e pedindo uma contribuição para as pessoas. Agora, por opção de nós três, resolvemos fazer as sessões de rock. Nosso objetivo é curtir o som original do ‘bolachão’, e curtir essa cultura analógica”, reforça.

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