Martinho da Vila lança álbum em homenagem a escola

Aos 80 anos, cantor promove novo trabalho que homenageia a escola Vila Isabel, cuja história se entrelaça com sua própria vida e carreira


“Alô, Vila Isabeeeel”! O bordão já conhecido pelos fãs do Carnaval batiza o título do novo álbum do cantor Martinho da Vila. O trabalho presta homenagem ao Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos de Vila Isabel, no ano em que o artista completa 80 anos de vida (celebrados na última segunda-feira de Carnaval, dia 12 de fevereiro), e a escola celebra seus 72 anos.

“O projeto era antigo, mas quiseram os ‘deuses do samba’ que ele fosse para as ruas no ano em que o cantor completa oito décadas de vida. Ora, esses tais deuses sabem o que fazem: as trajetórias de Martinho e da agremiação se entrelaçam, numa relação simbiótica em que é impossível imaginar um sem o outro. Festa de Martinho é festa da Vila, e vice-versa – e sortudos somos nós que temos esses dois pilares da cultura brasileira para festejar”, observa Leonardo Bruno, autor do livro “Cartas para Noel – Histórias da Vila Isabel”, no texto de divulgação do álbum.

Foto: Marcos Hermes / Divulgação
Novo disco do Martinho da Vila presta homenagem ao Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos de Vila Isabel

Para o trabalho, Martinho da Vila reuniu a ala de compositores da Vila Isabel e pediu que eles o apresentassem suas obras. A partir desta “peneira” surgiram as canções que compõem o trabalho. O cantor também reuniu membros da escola para cantarem junto a ele no trabalho, totalizando em 20 vozes em 13 faixas. A primeira música de “Alô, Vila Isabeeeel” já se trata de uma inédita, “Quatro de Abril”, que conta a história da fundação da agremiação, homenageia Wilson Caetano (ator da canção com Nelson Nogueira), que é compositor da escola há mais de 45 anos. “A Vila foi fundada em 1946, e em suas duas primeiras décadas alternava as últimas colocações do desfile oficial com passagens pelo segundo grupo.

Foi só com a chegada de Martinho, no fim dos anos 1960, que a escola conseguiu ‘furar’ o bloqueio das quatro grandes da época (Portela, Mangueira, Império e Salgueiro) e passou a figurar nas primeiras posições. Mas o título não vinha”, conta Bruno, ainda na divulgação do CD. Nesta época, escolas que são da “nova geração”, como a Beija-Flor, Imperatriz e Mocidade, começaram a ganhar campeonatos, enquanto a Vila Isabel não conseguia seu lugar no pódio. E deste drama surgiu outra música do trabalho, “Sempre a Sonhar”, com letra do próprio Martinho e música de Ruy Quaresma. A faixa foi registrada no CD “Martinho da Vila Isabel”, de 1984.

Quatro anos após este lançamento, a Vila Isabel finalmente conseguiu seu destaque. Na quarta faixa chega o samba campeão do Carnaval carioca de 1988, “Kizomba – A Festa da Raça”. A regravação do hino de Luiz Carlos da Vila, Rodolpho e Jonas traz novos arranjos da filha do cantor, Maíra Freitas. E o álbum assim segue, contando desde o primeiro samba que o compositor levou para a Avenida, “Carnaval de ilusões”, em 1967, ao mais recente, “Memórias do Pai Arraia”, em 2016. Já foram 50 Carnavais de “pura paixão em branco e azul”.

“Nesse período, Martinho reinventou o samba-enredo, fazendo música sem rima, inovando no vocabulário, cantando a liberdade em plena ditadura e levando o partido-alto para a Avenida – sua importância para o gênero só é comparável à de Silas de Oliveira”, enfatiza o escritor. “Lutou pela quadra, fez shows para pagar o barracão, carregou o nome da Vila pelos quatro cantos do mundo. Este álbum surge como um agradecimento seu à Vila Isabel”, conclui.

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