Historiador explica a origem do terrorismo

Eduardo Negrão aborda com riqueza de detalhes o tema que tem dominado os noticiários internacionais nos últimos anos


Foto: Divulgação
“Temos atualmente mais pessoas agindo em nome de grupos terroristas. Gente que não é ligada diretamente à causa”, diz Eduardo Negrão

O mundo passa por tempos difíceis. Já virou rotina ligar a TV ou acessar a internet e ficar sabendo de algum ataque terrorista em algum ponto do mundo. Parece que de uma tragédia para outra só muda o número de vítimas. Mas não é bem assim. O terrorismo tem causas complexas e soluções mais complicadas ainda, como demonstra o escritor, professor universitário e analista político Eduardo Negrão, que acaba de lançar o livro “Terrorismo Global – Panorama Geral Sobre a Atuação dos Principais Grupos Terroristas da Atualidade e Suas Motivações”. A obra vai ao passado, mostrando a surgimento desta forma de reivindicação política, ainda durante a Revolução Francesa até os dias atuais. “O objetivo foi fazer um livro acessível mesmo para quem não tem tantos conhecimentos sobre aspectos da política global”, comenta o autor, no início desta semana, em evento de lançamento em uma livraria paulistana.

Negrão ressalta o grande número de adeptos do terrorismo moderno e o papel da internet nestas ações. “Temos mais pessoas agindo em nome de grupos terroristas. Gente que não é ligada diretamente à causa, mas que pega um carro e sai atropelando as pessoas em pontos turísticos da Europa. E a internet tem um papel fundamental nisso tudo”, observa.

Soluções. Mas como resolver tal problema e impedir que ele ganhe ainda mais força em nações do ocidente? As respostas são variadas, porém o professor acredita que algumas delas passam pela impopular restrição da entrada de mulçumanos em países ricos como Alemanha, Inglaterra e Estados Unidos. “Na França já são 9 milhões de muçulmanos em meio a 75 milhões de franceses. Imagine isso daqui 30 anos. É um modo de vida e pensamento diferente adentrando uma nação”, avisa.

Foto: Carmen Taylor - Associated Press
Atentados terroristas de 11 de setembro assustaram o ocidente; No detalhe, o autor Eduardo Negrão

Para Eduardo Negrão, o Brasil, de certa forma, é afetado pelos atentados terroristas. “Os brasileiros são atingidos primeiramente pela xenofobia. Lembremos o caso clássico do eletricista Jean Charles, morto em Londres pela polícia ‘ao ser confundido’ com um terrorista islâmico. Ninguém foi condenado”, relembra.

Segundo ele, a organizações terroristas também sempre consideraram o Brasil um ‘porto seguro’, seja pelas fronteiras, seja pela simpatia ideológica. “As FARCs colombianas chegaram a acolher o notório traficante Fernando Beira Mar e mais recentemente o notório homicida italiano Cesare Batistti, que matou 4 pessoas e deixou uma criança paraplégica, vítima das suas ações pelo PAC (Proletários Armados pelo Comunismo), na Itália”, frisa Negrão.

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