Copa do Mundo ‘incentiva’ lançamentos sobre futebol

Várias editoras preparam obras novas e clássicas focando o esporte-paixão dos brasileiros


Foto: Cassiano Mano/Creative Commons
Especialistas são unânimes: brasileiro adora futebol, mas raramente escreve ou lê sobre o assunto

Em menos de três meses o Brasil vai parar. O motivo é simples e esperado por todos a cada quatro anos: Estamos em pleno ano de Copa do Mundo, a maior competição futebolística do mundo.

Como a literatura é uma arte alimentada por paixões, nada mais comum do que as editoras aproveitarem o período para jogarem nas prateleiras uma seleção de obras focando essa invenção inglesa. Nas páginas de nomes como Nelson Rodrigues, Luis Fernando Veríssimo, Ruy Castro e outros apaixonados pela bola, o futebol perde sua obviedade esportiva para ganhar ares de representação da vida, tal seu poder de síntese dos dramas humanos.

“É curioso notar que em um país onde há tanto amor pelo futebol, não tenhamos um romance sobre ele. Em compensação temos várias crônicas, o que indica que a narrativa futebolística se casa melhor com textos curtos, mais concisos”, explicou a professora literatura comparativa e semiótica Ângela Maria Vieira, de São Paulo.

Se as crônicas sempre existiram em obras de escritores respeitáveis como Nelson Rodrigues e Luiz Fernando Veríssimo, o número de livros lançados anualmente por editoras sempre foi reduzido. A explicação é simples, segundo o músico, escritor e autor do livro “Veneno Remédio – O Futebol e o Brasil”, José Miguel Wisnik. “Na verdade é um tema difícil, começando pelo fato de que quem gosta de futebol e assiste futebol geralmente não está interessado em especular sobre futebol ou ler sobre ele”, frisa Wisnik, que esteve recentemente falando sobre o assunto em uma palestra no SESC Piracicaba.

“A extensão que tem o futebol no Brasil, o alcance e a imersão na vida futebolística se faz de uma maneira que não passa por uma atividade refletida. O brasileiro se coloca mais na função de ensinar futebol, naquela história de que no Brasil todo mundo é técnico, do que aprender sobre ele”, completa.

Novidades. Mas em 2018 parece que esse estado de distanciamento entre fãs de futebol e escritores apaixonados pelo tema vai diminuir. Várias editoras preparam lançamento sobre o tema, apostando na esperança brasileira pelo hexacampeonato na Rússia.

Até uma editora especializada no tema passou a funcionar no Brasil recentemente: a Grande Área, que colocou no mercado nos últimos anos títulos como “Guardiola Confidencial” e “Pep Guardiola: A Evolução”, assinado pelos consagrado técnico espanhol. E nas próximas semanas deve lançar “Barça”, do jornalista inglês especializado no tema, Grahan Hunter.

Mas não é apenas de novidades que vive as livrarias. Uma série de clássicos sobre o nosso futebol deve ganhar relançamentos até o pontapé inicial da Copa da Rússia acontecer, no dia 14 de junho. (Veja abaixo)

Confira alguns livros que devem ganhar reedição nos próximos meses:

“Estrela Solitária”, de Ruy Castro (Companhia das Letras)
– Impressionante biografia do gênio das pernas tortas, um dos maiores jogadores que o mundo já conheceu.
“À Sombra das Chuteiras Imortais”, de Nelson Rodrigues (Editora Companhia das Letras)
– Seleção de crônicas do dramaturgo Nelson Rodrigues sobre suas duas paixões: o futebol e, principalmente, o time do Fluminense.

“O Negro do Futebol Brasileiro”, de Mario Filho (Editora Mauad X)
– Racismo e talento na saga da raça negra brasileira para entrar no futebol, um esporte de elite no início do século 20.

“Febre de Bola”, de Nick Hornby (Editora Rocco)
– Um inglês que descreve o futebol como representação da própria vida em crônicas reunidas neste livro lançado em 2000.

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