‘Balada Literária’ mobiliza amantes dos livros

Escritor Rafael Sallati, de Americana, conta sua experiência no evento paulistano, que alcançou sua 11ª edição em 2016


A efervescência literária brasileira segue concentrada na capital paulista. Na última semana, entre 23 e 27 de novembro, a metrópole sediou a 11ª edição da “Balada Literária”. O escritor americanense Rafael Sallati, do projeto “18 Km”, tem acompanhado o movimento literário da capital e conta sua experiência ao LIBERAL:

“‘Balada Literária 2016’. 11ª edição. Minha primeira vez. Homenageado: Caio Fernando Abreu. Cheguei na quinta-feira à noite, já ouvindo os murmúrios sobre a festa de abertura, ocorrida quarta-feira, no Ibirapuera, com show de Ney Matogrosso, Tetê Espíndola e Alzira E; e sobre as mesas incríveis que aconteceram enquanto eu chegava na selva de pedra. Perdi muito. E o que restou para acalmar o coração foi perceber a grandeza do que estava por vir.

Na sexta-feira comecei minha peregrinação na companhia do amigo-poeta blumenauense Marcelo Labes. Com as mochilas cheias de livros, fizemos o que dois caipiras sabem fazer de melhor em uma cidade grande: nos perdemos. Mesmo com os percalços, assistimos a mesas de conversas edificantes. Com pontuações e questionamentos da plateia, a atmosfera da sala ficava densa e ao mesmo tempo leve, de tanto conhecimento.

A ‘Balada’ proporciona esse encontro, olho no olho. A oportunidade ímpar de sentar com Paulo Lins, autor de “Cidade de Deus”, e conversar sobre a vida no interior do Estado. De se surpreender com a humildade e o conhecimento do professor e poeta da rua, Nelson Maca. De conhecer Miró da Muribeca! De se emocionar com um sarau criado no começo da madrugada, onde as palmas eram proibidas, mas os sorrisos eram cortesia a todos que chegavam.

Já no sábado, municiado de água, protetor solar e crédito no Bilhete Único, fui ao encontro da arte. Destino: Ibirapuera. Lá nós, baladeiros, fomos agraciados com a leitura dramática da peça ‘Tchau Querida’, de Ana Maria Gonçalves. Difícil discorrer sobre. Foi lindo, crucial! As atuações do elenco ─ a maioria era de mulheres, todas negras ─ foi de emocionar até o mais leigo na arte de chorar. Dirigidas pelo ator Wagner Moura, fizeram história.

Domingo o dia começou cedo com uma roda de conversa descontraída e de muito aprendizado com Cristovão Tezza. Entre cervejas, conversas e livros, chegamos ao Sesc Pinheiros para assistir ao encerramento da ‘Balada’, com o projeto Estados em Poesia. Chave de ouro. Com 13 poetas de vários estados brasileiros, a noite foi invadida pelos sotaques que se namoravam e nos lembravam da maior riqueza de nosso País: nosso povo. [Procure: Elizeu Braga, Regina Azevedo, Anna Zêpa. Respeita o Nordeste! Na verdade, pesquise todos!] Tudo isso sendo finalizado por uma conversa em voz e violão com Moraes Moreira e seus cordéis maravilhosos.

Liberal Motors – BC
Revista L – BC.1

No fechar das cortinas, em meio a sorrisos e abraços, decretou Marcelino Freire, contista/poeta/gênio/força/coragem/coração e organizador da ‘Balada Literária’, que não contou com o apoio da Lei Rouanet: ‘O que os outros fazem com um milhão, nós fazemos com humilhação!’. E com amor e amizade, Marcelino”.