Acervos possuem verdadeiros tesouros literários

De livros do século 14 até obras “proibidas”, que não podem sequer ser emprestadas, publicações ajudam a contar a história ao longo dos anos


As bibliotecas municipais da RPT (Região do Polo Têxtil) guardam em seus acervos verdadeiros tesouros literários. De livros do século 14, com quase 200 anos, até obras “proibidas”, que não podem sequer ser emprestadas, essas publicações ajudam não só a contar a história ao longo dos anos, como também atiçam a curiosidade dos leitores. O LIBERAL percorreu as bibliotecas de Americana e Santa Bárbara d’Oeste e encontrou várias publicações raras, mas também cobranças por melhores condições de preservação desses livros.

Foto: Marcelo Rocha - O Liberal
O LIBERAL percorreu as bibliotecas de Americana e Santa Bárbara d’Oeste e encontrou várias publicações raras

A Biblioteca Municipal Professora Jandira Basseto Pântano, em Americana, é repleta de itens que remetem há séculos passados, boa parte deles em línguas estrangeiras, como o alemão “Prosit! Neues Deutsches Kommersbuch”, de 1899, e um breviário, obra que reúne os ofícios dos sacerdotes da Igreja Católica, em latim, que data de 1892. A publicação mais antiga, no entanto, é o “Oraciones Escogidas”, de M.T. Cicerom, escrito em castelhano, lançado em 1829.

“Muitos desses livros podem valer muito dinheiro, se vendidos para colecionadores, por exemplo”, explicou Leonardo Luciano, bibliotecário da instituição. “Na internet, você pode encontrar informações e descobrir se o livro que você tem em casa é um tesouro guardado”, ressaltou. Porém, segundo ele, o mais importante é a história por trás de cada obra, o que elas representam e o que elas mostram das épocas em que foram criadas.

Porém, segundo Luciano, os espaços públicos sofrem de um problema em comum: a falta de um local adequado para serem guardados. “Acredito que essa é o principal problema enfrentado pela maior parte das bibliotecas públicas do Brasil. O que fazemos é tentar não mexer muito, tentar guardar escondido da luz, porém, com refrigeração e circulação de ar. O ideal, no entanto, seria um local com controle de temperatura e de ar”, apontou.

‘Proibidões’. Em alguns casos, o fato de um livro ser proibido de circular faz dele uma obra rara. A Biblioteca Pública Municipal Maria Aparecida de Almeida Nogueira, em Santa Bárbara d’Oeste, tem algumas publicações que se encaixam nesse quesito. “Roberto Carlos em Detalhes”, biografia não autorizada escrita por Paulo Cesar de Araújo, por exemplo, está nessa lista. “Não é um livro antigo, mas como ele foi proibido e não pode ser emprestado, se tornou raro”, explicou a bibliotecária Roseli Aparecida Passi Tureta.

A biblioteca também mantém outro livro polêmico e proibido de circular em todo o Brasil: “Holocausto: Judeu ou alemão”, escrito pelo gaúcho Siegfried Ellwanger Castan, em que o autor apresenta uma visão peculiar e racista da história. Questiona, por exemplo, todas as estimativas sobre o número de prisioneiros mortos em campos nazistas e responsabiliza os judeus pelos eventos encabeçados por Adolf Hitler.

De acordo com Luciano, vários itens podem fazer com que uma obra seja rara. “Normalmente, as obras que são datadas de mais de 100 ou 150 anos já são consideradas raras. Os exemplares com defeitos de fabricação ou com dedicatórias feitas pelo dono ou pelo autor também podem classificá-las dessa maneira”, apontou. “Além disso, ele passa a ser raro pelo ano de publicação, pela arte da capa e pela edição limitada”, salientou Roseli.

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