Costureira defende a ‘ilusão’ do bom velhinho no Natal

Colecionadora de Americana tem 600 Papais Noéis e defende lenda do personagem, que toma a paisagem nesta época do ano, junto às novas gerações


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Já é tradição. Há 15 anos, a costureira Maria Ivete Bortoletto, de 68 anos, deixa o espírito natalino invadir a sua casa, decorando-a com sua coleção de papais noéis, que conta com aproximadamente 600 itens. Para ela, o espírito natalino está em falta, principalmente porque as crianças estão deixando de acreditar no ‘bom velhinho’.

“No meu primeiro ano de casada, comecei a comprar. Depois, peguei o gosto. Aí vieram as crianças, e eles queriam comprar Papai Noel também. Hoje estou com uma coleção grande”, conta ela, que costumava passar os natais com todos os cinco cômodos da casa onde mora no bairro São Vito enfeitados com bonecos do senhor rechonchudo, de barba branca e vestes vermelhas.

Foto: Isabella Holouka-O Liberal
Ivete conta que a coleção começou no seu primeiro ano de casada

Neste ano, a decoração saiu do interior da casa de Ivete e foi para um salão externo, onde ela mantém seu ateliê de costuras e brinca com os três netos. Entre muito vermelho, verde-escuro, amarelo e branco, ela garante que o ambiente de trabalho está “mais alegre, e parece que todos os dias têm festa”, mesmo não tendo utilizado todos os itens de sua coleção, que também conta com colchas, toalhas de mesa e tapetes.

“Mas dá trabalho viu, filha?”, afirma a costureira. A decoração começa sempre em meados de outubro, para fazer tudo com calma e dar tempo de aproveitar o resultado. Depois de 6 de janeiro, vem a segunda parte da tarefa. “Vou tirando, limpando, guardando. Tem que arrumar todo ano, tirar o pozinho deles, e as vezes têm algum que está despencando… Então arrumo para guardar arrumadinho, e no outro ano é só colocar”, explica Ivete.

Magia perdida

Na coleção, há papais noéis que já não se encontra mais por aí. “As carinhas deles, a qualidade… É difícil encontrar agora com esses tipos de carinha”, conta, apontando para um ou outro bonequinho.

Se o Natal está perdendo a magia? Ivete aposta que sim, e coloca a culpa no esquecimento em que está caindo a lenda do ‘bom velhinho’, que presenteia todas as crianças do mundo à meia-noite do dia 24, se tiverem se comportado bem o ano todo.

“Estão tirando a ilusão das crianças, que muito cedo estão aprendendo que não existe Papai Noel. Eu acho que é uma ilusão gostosa. Deixa eles acreditarem, descobrirem mais para frente, por si. É mais bonito assim”, defende ela.

Afirmando que gosta “da história, da personagem e da festa” que envolvem a figura de São Nicolau, ela comemora o fato de ainda haver “criança com 10 anos que acredita e pai que se veste de Papai Noel”.

Refrigerante ajudou a popularizar personagem

A chegada da imagem do papai no Brasil e no resto do mundo se deu a partir de 1931, quando a Coca Cola fez uma ousada campanha de marketing para atingir um público mais jovem. O ator sueco Haddon Sundblon foi contratado para recriar o Papai Noel, uma lenda do Norte da Europa, dando-lhe uma feição mais humana. A série de pinturas a óleo criada e reproduzida pelo refrigerante com o personagem criado por Haddon foi lançada até 1966, ano da morte do ator.

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