‘Elis’ relembra trajetória de sucesso à morte precoce

Cinebiogafia da “Pimentinha” conta como a cantora enfrentou as dificuldades da vida para alcançar o ápice da carreira


Em 19 de janeiro de 1982, o Brasil perdeu uma das cantoras mais importantes da música nacional. Elis Regina morreu precocemente, aos 36 anos de idade, vítima de overdose. O fato causou comoção nacional, não só pela causa da morte, mas também por ela ser uma das poucas vozes de esperança do público naquele momento, em que o País continuava enfrentando uma ditadura civil-militar.

“Elis”, a cinebiogafia da “Pimentinha”, conta como a cantora enfrentou as dificuldades da vida para alcançar o ápice da carreira, e como sua obra repercutiu no Brasil. O filme é protagonizado pela atriz Andréia Horta, e marca a estreia do diretor Hugo Prata nos cinemas. A obra retrata desde a chegada da gaúcha ao Rio de Janeiro no dia do golpe militar, em 1º de abril de 1964, e seu contato com personalidades que marcaram sua vida e obra, como Luiz Carlos Miéle, e os ex-maridos Ronaldo Bôscoli e César Camargo Mariano. A classificação é de 14 anos.

Foto: André e Carioba
O filme é protagonizado pela atriz Andréia Horta, e marca a estreia do diretor Hugo Prata nos cinemas

Cineasta apaixonado por música, Prata conta na divulgação do filme que é fã de Elis desde a infância, quando a cantora participou dos diversos festivais de música brasileiros. “Meus pais eram assíduos frequentadores. Sou de abril de 1965, mês e ano em que ela explode cantando ‘Arrastão’. Cresci nos anos da ditadura, com amigos, tios e primos sendo torturados e se escondendo. Ao mesmo tempo, consumi uma arte de qualidade que o Brasil produzia na época. Era uma efervescência cultural grande”, lembra.

Entretanto, o diretor confessa que se afastou da idolatria para produzir o filme. “Busquei a mulher real, para além do glamour. Elis teve uma infância dura, com 13 anos já sustentava a família, desenvolveu toda a sua carreira no período da ditadura, criou três filhos, lutou contra o machismo, ou seja, não foi uma vida fácil”. Prata ainda observa que a morte precoce da cantora pode ter sido motivada pelo cansaço emocional que ela vivia no período.

A escolha de Andréia Horta para o papel principal da cinebiografia também está relacionada a admiração da atriz pela “Pimentinha”. “Uma mulher superintensa que foi tragada pela própria labareda, se queimou no próprio fogo”, define Andréia sobre a artista que interpreta. “Primeiro, houve o desejo enorme de honrar essa figura, essa artista, essa voz. Afinal, você está contando a história de uma vida. Depois, vem uma preocupação que deve ser desprezada, mas consome a gente um pouco no início: a responsabilidade de corresponder à expectativa diante da comparação”.

Foto:
Mesmo usando áudios originais de Elis Regina, atriz teve trabalho árduo de expressão corporal e vocal

Bastidores

Revista L – BC.1
Liberal Motors – BC

Para estrelar o longa, Andréia teve que realizar preparação vocal e corporal intensa, por cinco meses antes das filmagens. Ela também revelou ter pesquisado entrevistas de Elis na internet. “Passei a pensar no prazer que seria experimentar isso no meu corpo. Experimentar o sorriso dela, o peso da mão, o encaixe da coluna e da bacia…O prazer de atuar, que é isso que eu mais gosto de fazer”, destaca a atriz.

Aos fãs mais críticos, vale ressaltar que a equipe optou em usar áudios originais de Elis. Mas ainda assim, a atriz acabou perdendo a voz mais de uma vez durante as filmagens. “Para que a junção da voz da Elis com a imagem da Andréia ficasse crível foi muita ‘labuta’. A Andréia tinha um coach de voz cantada, outro de voz falada, e mais um de corpo! Trabalhou diariamente, das 9h às 17h. Apesar de o áudio não ser dela, em todas as cenas ela está cantando como uma profissional e buscando a interpretação da Elis, ficava exausta”, revela o diretor Hugo Prata sobre os bastidores.