Rafael Cardoso analisa virada de personagem

Na pele do malvado Renato, de “O Outro Lado do Paraíso”, ele se surpreende com a boa repercussão do público


As poucas palavras e o sorriso de canto de boca de Rafael Cardoso indicam uma personalidade tímida. Mas o ator se solta quando conversa sobre o atual momento de sua carreira. Na pele do malvado Renato, de “O Outro Lado do Paraíso”, ele se surpreende com a boa repercussão do público e se empenha para construir um papel crível diante das “viradas” da trama de Walcyr Carrasco.

Acostumado a dar vida a mocinhos em produções como “Além do Tempo”, “Império” e “A Vida da Gente”, Rafael viu no atual personagem a oportunidade de subverter essa ordem. Mas a característica de Renato ser o grande vilão não apareceu logo que recebeu a sinopse. Até assumir claramente essa função na trama, o personagem apresentava um caráter que passeava entre o bom e o ambíguo. O que tornou o trabalho de Rafael ainda mais complexo.

Foto: Divulgação
“Eu otimizo meu tempo para fazer o que gosto e gerar renda com isso, para mim e para outras pessoas”

Desde que estreou na televisão em “O Profeta”, de 2006, Rafael tem se mantido no ar com frequência e acumula papéis em tramas como “Beleza Pura”, “Lado a Lado”, “Joia Rara” e “Sol Nascente”. Apesar de ser escalado para produções televisivas anualmente, ele ainda encontra tempo para se dedicar a outros compromissos profissionais.

“Tenho três restaurantes, uma fábrica de sucos e uma fazenda de orgânicos”, enumera. Quando “O Outro Lado do Paraíso” chegar ao fim, aliás, ele terá pouco tempo de intervalo antes de se envolver com o próximo personagem, que, por enquanto, prefere manter em segredo.

Renato, seu personagem em “O Outro Lado do Paraíso”, passou por uma grande transformação de caráter ao longo da novela. Você sempre soube que ele seria um vilão?
A gente já tinha uma ideia de que o personagem poderia se tornar um vilão e ficamos segurando isso para não vazar. O Walcyr Carrasco é um mestre em entender as possibilidades da trama e existia essa possibilidade no início.

Como você se preparou para interpretar um personagem que não tinha a personalidade bem definida?
Lá no início, quando surgiu essa possibilidade de o Renato não ser tão bonzinho, eu optei por uma construção que deixasse espaço para alguma mudança, com uma certa ambiguidade, uma coisa meio nebulosa. Eu tentava fazer toda a cena de um jeito e no final eu mudava um pouco, tentando deixar o personagem obscuro.

O Renato tem um “quê” de Louis Bloom, psicopata interpretado por Jake Gyllenhaal no filme “O Abutre”. O longa serviu de inspiração para você?
Esse filme foi uma das minhas referências. O Renato é assim: vai minando aos pouquinhos e fazendo um terrorismo. Ele é extremamente inteligente.

Então, você também construiu seu personagem considerando que ele é um psicopata?
Sim. Vivemos em uma sociedade em que vemos psicopatas em vários níveis. Não só aqueles que matam, mas pessoas que olham apenas para seu umbigo, que não se importam com a realidade do outro. Tudo de errado que o Renato faz tem uma coerência e isso é um grau de psicopatia.

Depois que a “máscara” do personagem caiu de vez, você teve alguma preocupação para não o tornar um vilão caricato?
Eu pensei que era muito mais interessante na construção desse personagem, mesmo ele sendo um cara fechado, fazê-lo amoroso. O que assusta mais, alguém que grita e briga ou alguém que está sempre rindo e em algum momento pode golpear você por trás?

Com a virada do Renato, você precisou mudar o visual. O que achou da transformação?
Estou igual ao Doctor Rey. Sem aquela barba grande me deu até uma leveza para fazer o personagem. Quando não estou trabalhando, fico quase mendigo. Na verdade, gosto mesmo de ficar careca, que é o que me dá menos trabalho. Careca e com a barba grande porque não preciso arrumar o cabelo nem fazer a barba.

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