Maria Fernanda Cândido no olho do furacão

Atriz exalta a complexidade dos temas e personagens de "A Força do Querer"


Foto: Isabel Almeida_CZN
Em 2000, por conta do sucesso da novela de Benedito Ruy Barbosa, foi eleita “A Mulher Mais Bonita do Século”

É com curiosidade de telespectadora que Maria Fernanda Cândido recebe o bloco de capítulos semanal de “A Força do Querer”. Salve-se algumas participações, é a primeira vez em quase 10 anos que a atriz participa de uma trama completa. O entusiasmo é evidente, não apenas pelas inúmeras cenas dramáticas que precisa encarar ao viver a afetada Joyce, mas também pela profundidade dos temas que a novela aborda diariamente.

Paranaense de Londrina, Maria Fernanda entrou na tevê depois de chamar atenção como modelo. As primeiras aparições no vídeo, como apresentadora do “Ilha do Biquíni”, da extinta MTV Brasil, e na abertura da novela “A Indomada”, foram totalmente influenciadas por sua beleza. A transição para a carreira de atriz aconteceu aos poucos, fazendo pequenas “pontas” em tramas como “Pérola Negra”, do SBT, e “Serras Azuis”, da Band. Até que, no final dos anos 1990, conseguiu repercussão popular ao viver a bela italiana Paola, de “Terra Nostra”. A partir daí, se destacou em produções como “Esperança”, “Capitu”, “Dalva e Herivelto – Uma Canção de Amor” e “Dois Irmãos”, minissérie de 2015. “Fiz muitas peças ao longo dos últimos anos e acho que essa experiência acabou por redefinir minha relação com a televisão. Sou muito criteriosa quando o assunto é trabalho. Só saio de casa para fazer o que realmente quero”, ressalta.

“A Força do Querer” é seu primeiro trabalho de longa duração na tevê em quase 10 anos. Como foi retornar à rotina de uma novela?
Foi tranquilo porque era o momento certo para esta volta. Nunca deixei de trabalhar, participei de vários produtos da emissora, mas sempre respeitando o meu momento fora da tevê. Moro em São Paulo e meus filhos estavam muito novos para que eu ficasse longe de casa por tanto tempo. Eles ainda são crianças, mas começaram a ficar mais independentes e a entender meu trabalho. Criou-se o cenário e surgiu o convite da Gloria Perez que, dessa vez, tive o prazer de aceitar.

Era um “namoro” profissional antigo?
Muito. Gloria já tinha conversado comigo para outras produções, mas compreendeu que eu realmente não poderia aceitar. O Rogério (Gomes, diretor) também me convidou algumas vezes para fazer novelas e acho que já tinha até desistido de mim (risos). Fiquei muito feliz em poder voltar às novelas com uma dupla que sempre gostei, mas com a qual nunca pude trabalhar. E, honestamente, estou muito feliz com esse trabalho.

Por quê?
É uma novela plasticamente muito bem cuidada. E ela vem com um texto forte, encorpado, nada está em cena de forma gratuita. Joyce é o tipo de personagem que vem se revelando aos olhos do público. Ela vai além da simples “dondoca” ao encarar seus problemas de frente. Isso a tirou do lugar-comum, a humanizou.

Por dividir o protagonismo com outras quatro atrizes, você achou que sua personagem corresse o risco de ficar em segundo plano?
Não tenho essa vaidade. Mas a gente sabe que isso acontece nas novelas. O autor acaba indo pelo caminho que mais cativou o público. Acertadamente, a Gloria desenvolveu todas as histórias de forma integrada e paralela. O público abraçou todo esse mosaico criado por ela. Toda semana tenho alguma grande cena para fazer e, a cada novo bloco de capítulos, enxergo novas referências e situações.

Como é a resposta do público em relação ao tema e sua personagem?
Eles entendem o desespero da Joyce. A personagem é um retrato muito fiel da pessoa comum que é avessa a qualquer risco ou mudança. Ela é do tipo que foi criada com valores antigos, que tinha o sonho de ter uma filha mulher para poder moldar essa criança como se fosse uma cópia sua. A filha se identificar como filho é um baque na vida de uma mulher tradicional e que nem sabia que isso existia.

Você e Dan já se encontraram em séries, filmes, peças e até apresentaram programa juntos. Como é retomar essa parceria artística em “A Força do Querer”?
A gente é muito amigo. Temos uma afinidade artística muito forte e, de alguma forma, acompanhamos o desenvolvimento da carreira um do outro na tevê. Dan estava longe das novelas há alguns anos também. Dan é um ator sensível e muito generoso em cena, é o cara que leva luz ao estúdio. Com tantas cenas densas ao longo dos dias, isso é muito bem-vindo.

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