Marco Nanini e a sua ‘urgência criativa’

Marco Nanini exalta a ousadia técnica e tom naturalista contidos na novela medieval 'Deus Salve o Rei'


Marco Nanini adora uma novidade. Nos palcos, onde tem total autonomia, está sempre em busca de textos inéditos e diretores experimentais que possam o levar por caminhos diferentes. Na tevê, onde depende de convites, Nanini viu no projeto de “Deus Salve o Rei” a chance de participar de algo que realmente consegue levar a teledramaturgia da Globo a outro patamar. Recheada de efeitos especiais, com cenários “indoor” e virtuais, a trama medieval de Daniel Adjafre subverte o clima tropical do Rio de Janeiro e soa totalmente crível no ar.

Pernambucano de Recife, Nanini aos 69 anos exibe a urgência criativa que sempre foi seu forte. Ator, diretor e produtor premiado, seu primeiro contato com a televisão foi como figurante de “A Ponte dos Suspiros”, de 1969. Nos anos 1970, à medida que sua carreira avançava nos palcos, seu nome era melhor reconhecido na televisão, onde passou a ganhar papéis de destaque em tramas como “A Patota”, “Carinhoso” e “Gabriela”.

Foto: Divulgação
Marco Nanini

Na década seguinte, seu talento para o humor lhe reservou trabalhos em tramas como “Brega & Chique” e no humorístico “TV Pirata”. Depois de 14 anos como protagonista do seriado “A Grande Família”, a volta às novelas só ocorreu no ano passado, na pele do multifacetado Pancrácio de “Êta Mundo Bom!”.

Você ficou distante das novelas por 16 anos. Voltou em “Etâ Mundo Bom”, do ano passado, e agora é um dos destaques do elenco de “Deus Salve o Rei”. O que o atraiu para o projeto?

Marco Nanini O ar de novidade. Vivemos em um país tropical e bem diferente da ambientação de “Deus Salve o Rei”. Então, a direção foi estudar efeitos e possibilidades visuais. Para uma pessoa como eu, que trabalhou nos tempos de tevê em preto e branco, é algo realmente instigante.

“Deus Salve o Rei” é uma novela com elenco predominantemente jovem. Como você encara essa troca de experiências?

Nanini É um contato muito rico. Estou às vésperas de completar 70 anos. Mas não me sinto com essa idade toda. Adoro a juventude e admiro muito a maioria dos atores jovens que foram escalados para essa novela. Além da troca de impressões sobre atuação e personagem, existe também um encontro de gerações. Fico impressionado que a Bruna Marquezine e a Marina Ruy Barbosa estudam o texto em um “tablet”.

A novela chega na esteira do sucesso de “Game of Thrones”, série medieval de sucesso da HBO. Você chegou a ver alguma cena para se inspirar?

Nanini Não. Afinal são produções medievais, mas o conflito é outro. Me limitei ao que a direção pediu. Acho que são narrativas de tons bem diferentes. A verdade é que não gosto de acompanhar séries e novelas.

O encerramento de uma temporada teatral ou o final de um projeto audiovisual também o deixam mal?

Nanini Bastante. Mas só se o projeto for bom. Quando passaram todas as temporadas da peça e o filme de “O Mistério de Irma Vap”, por exemplo, ficou um vazio. E claro, não posso deixar de citar o final de “A Grande Família”. Foram 14 anos vivendo o Lineu. Foi uma dor dilacerante. No entanto, todos os envolvidos já sabiam que a série não tinha mais para onde ir.

Você ainda continua sendo chamado de Lineu nas ruas. Isso mantém o personagem “vivo”?

Nanini Não. Foi um luto que eu já vivi. Encaro o fato de me chamarem de Lineu como um carinho por parte do público. Afinal, depois de tantos anos, o telespectador também se apega. Na minha cabeça, o Lineu é um parente que se foi e as pessoas continuam falando dele naturalmente. Devo a ele a minha aproximação com o grande público e o modo carinhoso e respeitoso como as pessoas
me tratam na rua.

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