Com foco nas cinco protagonistas

Há 17 anos, os diversos roteiristas que passaram por “Malhação” sempre se preocuparam em tratar temas relacionados ao universo infantojuvenil


Há 17 anos, os diversos roteiristas que passaram por “Malhação” sempre se preocuparam em tratar temas relacionados ao universo infantojuvenil. Com Cao Hamburguer não foi diferente. Responsável pela atual temporada do folhetim, o autor – famoso por escrever para os jovens, em produções como “Castelo Rá Tim Bum” – procurou colocar em pauta o feminismo, assunto recorrente nos tempos de hoje. Pela primeira vez, a novela colocou em foco cinco protagonistas mulheres.

Assim, Keyla, Benê, Lica, Ellen e Tina, interpretadas por Gabriela Medvedovski, Daphne Bozaski, Manoela Aliperti, Heslaine Vieira e Ana Hikari, foram alçadas ao posto mais alto de uma produção. Diferentes entre si, elas se conheceram de forma inusitada e criaram laços.

Foto: Divulgação
Cao Hamburger, roteirista de malhação

Com o universo feminino em alta, “Malhação” trilhou por um caminho conhecido, mas sem cair nos estereótipos forçados por temporadas anteriores. Amores, desamores, intrigas e até a gravidez na adolescência, temas já batidos nesse horário, ganharam novos contornos ao focar na visão e relação de suas protagonistas. O preconceito sofrido por Ellen, uma aluna dedicada e que sofre com a falta de estrutura financeira, também soou mais empoderado.

Keyla sofreu com os quilos ganhos na gravidez e recorreu a remédios ditos milagrosos. Mas o que chamou mais atenção foi através de Benê. Com uma atuação digna de uma veterana, Daphne interpreta uma personagem autista como poucas vezes vistas na tevê.

Sem forçar, autor e atriz deram ao telespectador uma visão clara e, muitas vezes, doce de um transtorno pouco explorado na tevê. O assédio e a violência contra a mulher também ganhou novos contornos através da K1, de Talita Younan.

É claro que o clichê também faz parte do horário. É comum em “Malhação” o consumo de drogas por adolescentes ser abordado. Desta vez, em torno de Lica, a “adolescente-problema” da temporada. Infelizmente, mais uma vez, a novela peca por abordar o tema e não aprofundá-lo.

Em uma festa, a personagem usa uma droga popular entre os jovens – dando nome e sobrenome, inclusive – e vai parar no hospital. Sobrou didatismo, ítem pouco utilizado no restante da história.

O roteiro de Cao Hamburguer e a direção naturalista e sem afetações de Paulo Silvestrini elevou o nível de “Malhação” e levou a atual temporada para o rol das edições mais bem sucedidas do folhetim. E a audiência acompanhou. “Viva a Diferença”, subtítulo usado neste ano, tem o Ibope mais alto desde 2009, chegando a alcançar uma média de 22 pontos – feito para o horário. Anna Bittencourt_TV Press

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