Anônimos que viraram celebridade

Ex-participantes de “reality shows” falam sobre o árduo caminho em busca de espaço na tevê


Ser famoso é um dos grandes objetivos de quem aceita se expor em um “reality show”. Seja em competições que envolvem personalidade, como o longevo “Big Brother Brasil”, ou disputa de talentos musicais – como a bem-sucedida adaptação nacional de “The Voice” ou do extinto “Ídolos” –, é o carisma de cada participante que conta na hora de definir seus rumos na produção. Ao longo de suas 18 edições, o “BBB” acumula anônimos que acabaram caindo no esquecimento ou virando celebridade de segundo escalão.

No entanto, existem nobres exceções. Segundo lugar na edição de 2005 do “reality”, o jeito meigo e os traços angelicais de Grazi Massafera caíram no gosto do público. De olho nessa popularidade, a loura investiu na carreira de atriz, quando foi convidada por Jayme Monjardim, poucos meses depois do fim da competição para o elenco de “Páginas da Vida”, em 2006.

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Segundo lugar na edição de 2005 do “reality”, o jeito meigo de Grazi Massafera caiu no gosto do público

Sem experiência com atuação e exposta ao preconceito dos colegas, Grazi conseguiu se firmar aos poucos. Uma década de muito esforço depois conquistou seu lugar ao sol ao viver a viciada Larissa de “Verdades Secretas”, papel pelo qual ganhou uma indicação ao Emmy Internacional na categoria “Melhor Atriz”. “Tenho orgulho da minha história e sei que ela começou no ‘Big Brother’. Se não fosse pelo programa, dificilmente eu teria me descoberto atriz. Não foi fácil fazer a transição na carreira. A todo momento alguém aparecia querendo me fazer desistir”, assume a atriz, que hoje vive a passional Lívia de “O Outro Lado do Paraíso”.

O caso de Sabrina Sato é, sem dúvida, o mais rentável de todos os nomes criados a partir de programas de confinamento. Sem chances na Globo, ela saiu do “BBB 3” e virou repórter e principal figura feminina do “Pânico na TV!”. Posteriormente, acompanhou a trupe na troca de emissora, quando ganhou ainda mais destaque no “Pânico na Band!”.

Com excelente tino empresarial, abriu uma agência para gerenciar sua carreira e a de seus colegas, o que fez multiplicar seus ganhos. Carismática ao extremo e sem nunca se levar a sério, Sabrina assinou contratos com grandes marcas e, após uma década ao lado de Emílio Zurita e companhia, seu nome acabou se tornando maior do que o humorístico.

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À frente do “Programa da Sabrina”, Sabrina Sato entrou para o primeiro time da Record e hoje é uma máquina de fazer dinheiro

Em 2014, atraída por um vantajoso contrato com a Record, estreou à frente do “Programa da Sabrina” e entrou para o primeiro time da emissora. Hoje, Sabrina é uma máquina de fazer dinheiro. Unindo seu salário, às cotas de patrocínio do programa e aos contratos de publicidade, ela fatura por mês, mais do que o cobiçado prêmio de R$ 1,5 milhão de reais do “BBB”. “Não sei fazer nada sem intensidade. Sou de origem simples, não tenho muita papa na língua e mostro como sou. Tudo o que conquistei foi com muito suor e espontaneidade”, ressalta Sabrina.

Com nove novelas no currículo, Juliana Alves é outra que saiu do “BBB” para construir uma frutífera carreira na tevê. No entanto, por ter ficado apenas um mês na terceira edição do “reality”, poucas pessoas costumam relacionar a atriz de folhetins como “Duas Caras” e “Sol Nascente” com o programa. “Todo o dinheiro que ganhei quando saí da casa foi investido em cursos de interpretação. Fiquei muito pouco tempo na disputa e não fui uma participação tão marcante. Nem tinha me inscrito no ‘Big Brother’, fui chamada por olheiros. Aceitei pela questão financeira e a carreira de atriz acabou surgindo de forma natural”, conta Juliana.

Na contramão dessa postura mais discreta – e sem qualquer talento para a atuação –, está Íris Stefaneli, apelidada como Siri. Participante do “BBB 7”, Íris sempre sonhou em trabalhar na televisão. Assim que foi eliminada, ela fez participações em programas globais como os extintos “Zorra Total” e “A Turma do Didi”, mas viu que seria bem difícil conquistar seu espaço na emissora como atriz. Passado o período de três meses de contrato após o fim da edição, virou repórter e apresentadora da Rede TV!, onde está até hoje. “Eu só precisava de uma oportunidade. É impressionante o preconceito que as pessoas têm com ex-participantes de ‘reality’”, destaca Íris.

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Chay Suede volta à tevê em, onde terá papel de destaque em “Segundo Sol”, próxima novela das nove

Os caminhos até a tevê podem distanciar os participantes de seus propósitos iniciais, mas a visibilidade do vídeo é sempre bem-vinda. O sonho de ser músico profissional levou Chay Suede até o “reality” musical “Ídolos”, na edição de 2010 exibido pela Record. Apesar de ter ficado em quarto lugar, a emissora ofereceu um contrato de prazo longo ao jovem, que virou ator e “ídolo teen” ao participar da versão nacional de “Rebelde”, entre 2011 e 2012.

Com o fim do projeto, Chay chamou a atenção da Globo e hoje está entre os galãs jovens mais disputados pela emissora. A carreira musical continua, mas Chay concilia o lançamento de seus singles com os convites para novelas como “Babilônia” e “Novo Mundo”. “Aproveitei as oportunidades que vi pela frente. Hoje, atuação e música são coisas complementares na minha vida. Sinto muito prazer em criar e a tevê é uma grande vitrine”, acredita Chay.

Quando subiu ao palco das audições às cegas do “The Voice Brasil”, Lucy Alves queria uma chance de mostrar sua musicalidade forte e nordestina para todo o país. No entanto, além da grande repercussão de seu canto e de sua sanfona, ela também impressionou o diretor Luiz Fernando Carvalho e acabou com um papel de destaque na poética “Velho Chico”, novela de 2016. “A atuação virou uma parte de mim. Agora me sinto mais segura em cena e a música me ajuda na construção das personagens. Nas folgas de gravação, componho, faço shows e gravo umas coisinhas. Meu plano é lançar um CD em breve”, adianta Lucy, que, atualmente, vive a encantadora Eunice em “Tempo de Amar”.

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Lucy Alves impressionou o diretor Luiz Fernando que a convidou para participar de “Velho Chico”

Novas Oportunidades

Confinar famosos também é uma tradição dos “realities”. Geralmente, celebridades do segundo escalão ou meio esquecidas pelo público topam participar dos programas na busca por uma “virada” em suas carreiras. Atriz mais conhecida no teatro, Bárbara Paz viu sua vida mudar ao vencer a primeira edição do pioneiro “Casa dos Artistas”, em 2001. Além de faturar o prêmio de R$ 300 mil, ela ganhou um contrato com um SBT e atuou em novelas da casa. Tempos depois, transferiu-se para a Globo e hoje vive a golpista Jô de “O Outro Lado do Paraíso”. “Foi um dos momentos mais maravilhosos da minha vida. Comprei minha casa com o prêmio e a participação me abriu portas como atriz”, valoriza Bárbara.

Outra que só tem orgulho de sua participação em um “reality show” é Viviane Araújo. Antes conhecida apenas por seu trabalho como modelo, rainha de bateria do Carnaval e ex-namorada do Belo, Viviane saiu de “A Fazenda”, da Record, com um convite do novelista Aguinaldo Silva para participar de “Império”, de 2014.

Destaque na trama, ela acabou assinando um contrato de prazo longo com a Globo, esteve em “Rock Story” e voltará ao ar no folhetim que Aguinaldo está escrevendo para estrear no segundo semestre deste ano. “É claro que o prêmio em dinheiro foi importante, mas acho que ganhar o respeito das pessoas e ter uma oportunidade real como atriz foram o grande legado da minha participação no programa”, analisa Viviane.

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